Laboratórios colaborativos recebem investimento público de 50 ME

O ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Manuel Heitor, anunciou hoje um investimento público de cerca de 50 milhões de euros para os 21 laboratórios colaborativos, no âmbito da reprogramação do Portugal 2020.

"Os laboratórios colaborativos são feitos para empregar e para estimular o emprego direto e indireto no mercado de trabalho e estes 21 laboratórios colaborativos até agora criados, com um investimento público de cerca de 50 milhões de euros, que deverão alavancar pelo menos, duas vezes mais outro tipo de investimento público e privado, têm que ser capazes, neste quadro, de criar mais de 800 empregos diretos e vir a criar três vezes mais empregos indiretos nos mercados de trabalho", afirmou.

O governante falava durante uma sessão pública de apresentação das propostas do financiamento base dos Laboratórios Colaborativos no âmbito da reprogramação do programa PT 2020, no Centro de Desenvolvimento e Inovação da Altran, no Fundão.

"Vamos ter de continuar a formar mais mestres e muito mais doutores em Portugal do que aqueles que formamos hoje, ao mesmo tempo que estimulamos o emprego, quer o emprego científico, nas instituições de ensino superior e nos centros de investigação, quer o emprego qualificado. E, por isso, os laboratórios colaborativos também vêm ajudar a diversificar o nosso sistema científico e tecnológico", sublinhou.

Segundo Manuel Heitor, Portugal tem, atualmente, cerca de 120 mil jovens com 18 anos, número esse que, em 2030, terá diminuído para 85 mil.

"A questão é que hoje damo-nos ao luxo de só formar 50% dos jovens com 18 anos. Não damos formação superior a outros 50%. Este processo é insustentável no futuro da competitividade de Portugal na Europa", frisou.

O ministro referiu que, no quadro de 2030, o aumento em 50% da penetração do ensino superior vai ser perfeitamente decisivo para aquilo que é um cenário de liderança de Portugal no contexto europeu.

Neste âmbito, defendeu o alargamento da base social, só possível com recurso a fundos, nomeadamente, nacionais e comunitários para o apoio social às famílias.

"Esta vai ser, certamente, uma das questões críticas na definição de um cenário 2030 para Portugal. Está assegurada no âmbito desta reprogramação, mais uma vez, até 2020. Hoje, a ação social escolar no ensino superior, custa aos contribuintes portugueses e europeus cerca de 150 milhões de euros por ano, sendo coberta a 70% com fundos comunitários, 30% com fundos nacionais", explicou.

Adiantou ainda que esta questão vai ter de ser tratada no quadro do programa de 2030 para que possa haver uma penetração em toda a população da formação superior.

O ministro disse ainda que, a seguir, é preciso perceber, de uma forma clara, a necessidade de diversificar e especializar o ensino superior.

"Cada vez mais, para alargarmos e para sermos mais competitivos, temos de ter um ensino superior muito diversificado e, ao mesmo tempo, especializar. Isto é particularmente difícil e, neste momento, não o sabemos fazer", sustentou.

Manuel Heitor entende que isso só se faz com atores externos, nomeadamente com autarcas e com empresas que trabalham com as instituições de ensino superior e que ajudarão também pressionando as instituições a diversificarem-se e a especializar.

"Esse vai ser o principal desafio do ensino superior português no quadro de 2030", concluiu.

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