"A Rússia tem tecnologia para exportar e nós temos um mercado de 1,2 mil milhões de consumidores", afirmou Hyppolyte Fofack, mostrando-se particularmente satisfeito com o facto de as matérias-primas (áreas em que os dois blocos são fortes) não serem a área principal da cooperação económica anunciada. ."A Rússia fez de 2019 o ano da Rússia-Africa [...] e nós fazemos a nossa parte para mostrar como são os africanos" a Moscovo, afirmou o economista do banco pan-africano, em entrevista à Lusa à margem dos encontros anuais do banco, que decorreram em Moscovo..No seu entender, o "ressurgimento da Rússia não é uma coisa má" e a sua aposta em África é bem-vinda.."Viemos para a Rússia com uma agenda clara, que é uma parceria 'win-win' em que as fragmentações do continente deixam de nos prejudicar nas negociações" disse. ."Os nossos analistas consideram que o que ajudou África foi a diversificação dos parceiros. Dantes, dizia-se que quando a Europa espirrava, África ficava constipada. Hoje a Europa sofre e África continua a crescer", explicou. .O reforço da presença da China e da Índia em África, a que se segue agora a Rússia, constituem sinais de que "os monopólios estão a acabar para todos", afirmou Fofack, que compreende as críticas europeias e norte-americanas ao aumento de 'players' internacionais no continente.."Quando não se está habituado a competir, claro que não se gosta e eles falam de África como se África fosse deles", respondeu.."Se África precisa de tecnologia, nós aceitamos, venha ela, da Rússia, China, América, Reino Unido ou Portugal", disse. .Moscovo acolheu até sábado os encontros anuais do Afreximbank depois de a Rússia ter entrado no lote de acionistas do banco, em 2017, e num momento em que o Kremlin quer reforçar o comércio externo com África, um continente que tem assistido a uma presença crescente da China. .Três semanas depois de ter entrado em vigor o acordo de livre-comércio continental, que inclui 24 países, o Afreximbank discutiu a diminuição das barreiras alfandegárias no contexto global e apelou à abertura para combater o crescente nacionalismo.