Estudo do ISCAP indica que 24% da população portuguesa tem formação superior

Um estudo do Instituto Superior de Contabilidade e Administração do Porto (ISCAP) mostra que 24% da população portuguesa tem formação superior, média inferior aos 37% registados nos países pertencentes à Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE).

Os resultados deste trabalho, designado "Determinantes e Significados do Ingresso dos jovens no Ensino Superior: Vozes dos Estudantes e de Agentes do Contexto Educativo", mostram que "Portugal não tem diplomados a mais", havendo sim "falta de conhecimento sobre ofertas do Ensino Superior", segundo uma nota do ISCAP.

Este estudo foi desenvolvido a pedido do Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, com o objetivo de identificar os fatores que facilitam ou inibem a entrada dos alunos em cursos universitários ou politécnicos, lê-se na nota informativa.

De acordo com a investigadora e vice-presidente do ISCAP, Diana Aguiar Vieira, responsável pelo estudo, o maior inibidor do prosseguimento dos estudos de nível superior é a falta de conhecimento dos requisitos e condições por parte dos jovens.

Esta conclusão, continuou, reforça a necessidade de promover um maior conhecimento do sistema educativo junto dos estudantes dos ensinos Básico e Secundário e esclarecer a população sobre os benefícios de uma qualificação superior.

O estudo indica igualmente que as barreiras financeiras, as experiências negativas, as fracas expectativas quanto ao retorno do investimento, a localização e o funcionamento dos cursos, a indecisão, a insuficiente orientação vocacional e o desejo de autonomia são outros dos fatores que inibem a entrada no Ensino Superior.

Segundo o trabalho do ISCAP, cerca de 45% dos estudantes do Ensino Secundário frequentam cursos profissionais - com 16% deste grupo a prosseguir os estudos após o 12.º ano - e apenas quatro em cada 10 jovens com 20 anos frequentam o Ensino Superior.

Com base nestas conclusões, a responsável acredita que uma das medidas para contornar a situação passa por desconstruir o preconceito social relativo ao ensino profissionalizante e pela implementação de novas modalidades de acesso ao Ensino Superior para os estudantes oriundos de cursos profissionais.

A flexibilização dos percursos educativos - diminuindo o fator determinante das escolhas vocacionais do 9.º para o 10.º ano e do Ensino Secundário para o Ensino Superior -, a integração dos Cursos Técnicos Superiores Profissionais no concurso nacional de acesso ao Ensino Superior e a revisão do cálculo da nota de acesso são outras das medidas apontadas.

"Adicionalmente, conclui-se que é preciso rever o sistema de acesso ao Ensino Superior, como também reforçar a aproximação do tecido empresarial e social aos contextos educativos", acrescenta o comunicado.

Os resultados evidenciam ainda para a necessidade de desenvolver um plano estratégico de formação contínua dirigida aos psicólogos do contexto escolar, reforçando também os Serviços de Apoio Psicológico e a formação psicopedagógica dos docentes ao nível do Ensino Superior.

37% registados nos países pertencentes à Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE).

Participaram no estudo 1.091 estudantes (do 9.º até ao 1.º ano do Ensino Superior) e 299 profissionais do contexto educativo (psicólogos de escolas de 3.º ciclo e do Ensino Secundário e profissionais dos gabinetes de comunicação e imagem de instituições de Ensino Superior), tendo os dados sido recolhidos entre março e julho de 2017.

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