CDS-PP vai chamar ministro da Agricultura ao parlamento devido à seca e atrasos no PDR

A presidente do CDS-PP anunciou hoje que o partido vai chamar o ministro da Agricultura ao parlamento para falar sobre a falta de ajudas aos agricultores afetados pela seca e os atrasos na aprovação de apoios a projetos de investimento.

Em declarações aos jornalistas, em Beja, durante uma vista à feira de agropecuária Ovibeja, Assunção Cristas explicou que o CDS-PP vai pedir, na conferência de líderes desta semana, para que seja agendada, "no momento mais próximo possível", a ida do ministro Luís Capoulas Santos ao parlamento.

"Vamos aproveitar uma figura regimental no parlamento, que é o debate setorial no plenário, e chamar o ministro da Agricultura. É a altura de o fazer para responder às perguntas de todos os deputados. São perguntas de dois minutos, com resposta direta", disse.

Segundo Assunção Cristas, quando decorre a Ovibeja e "a pouco mais de um mês" da Feira Nacional de Agricultura, em Santarém, "é sempre altura de se fazer um balanço do setor, da governação", e a avaliação que o CDS-PP faz da "atuação do ministro da agricultura e do Governo nesta matéria" é, "de facto, muito negativa".

A líder dos democratas cristãos lembrou que há um ano, quando visitou a edição anterior da Ovibeja, a seca "atormentava os agricultores" e, na altura, o CDS-PP apresentou várias propostas de apoios aos agricultores, que levou ao parlamento para serem aprovadas pelo ministério da Agricultura.

"Infelizmente, a seca agudizou-se e esses apoios nunca chegaram a ser aprovados ou a conhecer a luz do dia", lamentou.

Segundo Assunção Cristas, "a grande bandeira" do ministro da Agricultura, uma linha de crédito de apoio ao financiamento, "portanto endividamento para os agricultores", foi "o pouco" que Luís Capoulas Santos "conseguiu arranjar" e "nem isso funcionou bem".

De resto, a linha está, atualmente, "em prorrogação porque teve uma adesão muito baixa, porque era um mecanismo muitíssimo complicado e pouco apelativo para os agricultores", disse, frisando que "muitas outras medidas ficaram por tratar".

"Hoje felizmente, respira-se com um bocadinho mais de alívio, porque, entretanto, veio a chuva, mas sabemos que todos esses custos para os agricultores ficaram sem ser apoiados", frisou, dando "uma nota negativa" ao Governo e ao ministro da Agricultura, "que não trataram desta situação".

Por outro lado, continuou, o Programa de Desenvolvimento Rural para o período 2014-2020 (PDR 2020) está "absolutamente parado, com muitos e muitos projetos para serem aprovados", porque "o Governo não tem capacidade de os aprovar".

"Não tem capacidade porque não tem vontade política, provavelmente porque não quer injetar mais dinheiro no programa, como tinha sido pensado, e revogou essa hipótese, mas está sempre a tempo de assumir a agricultura como uma prioridade, de injetar mais dinheiro no PDR e de dar indicações para que as coisas andem com mais rapidez", afirmou.

Segundo Assunção Cristas, "estamos num espaço comum", o da União Europeia, "em que todos os agricultores competem uns com os outros, e, naturalmente, se nuns estados há apoios e noutros não há, são os agricultores que ficam desfavorecidos e a agricultura portuguesa e a economia portuguesa que ficam penalizadas".

"Felizmente", frisou, "há uma nota positiva para o setor [da agricultura] em si, para os agricultores, para os empresários agrícolas, que continuam a investir, a persistir apesar de tanta falta de ajudas por parte do Governo".

"Continuamos a olhar para os números das exportações e a sentir que há um dinamismo que vinha de trás e que continua a ter o seu efeito e isso é muito bom e, portanto, uma nota positiva muito positiva de saudação dos agricultores e de apelo para que persistam, para que continuem a apostar e nos [CDS-PP] no parlamento continuaremos a exigir do Governo bastante mais daquilo que tem feito", rematou.