Casa-Museu do escritor Ferreira de Castro com novo espólio para atrair mais público

O acervo de Oliveira de Azeméis sobre José Ferreira de Castro (1898-1974) foi reforçado com dezenas de novos documentos, revelou hoje a autarquia, que pretende atrair mais visitantes à casa-museu do escritor, com esse espólio.

Constituído por fotografias, cartas e manuscritos que a Câmara Municipal de Oliveira de Azeméis adquiriu em leilão, no passado mês de abril, esse espólio já pode ser parcialmente apreciado pelo público numa mostra que estará patente até 09 de junho, na Biblioteca Municipal, e assinala os 120 anos do nascimento do escritor.

Da biblioteca esses documentos seguirão depois para a Casa-Museu Ferreira de Castro, em Ossela, que é a terra natal do autor que fez parte de redações de jornais como "O Século" e "O Diabo", se tornou célebre com o romance "A Selva" (1930), foi candidato ao Prémio Nobel da Literatura e continua a ser apontado como um dos escritores portugueses mais traduzidos em todo o mundo.

"A aquisição do mais recente espólio de Ferreira de Castro representa a valorização do conhecimento sobre a vida de Ferreira de Castro, o que reconhecidamente enriquecerá o nosso património cultural", declarou à agência Lusa o vice-presidente da autarquia, Rui Luzes Cabral.

"Desta forma é-nos possível fomentar o conhecimento do escritor e divulgar a sua vida e obra com maior rigor, na medida em que dispomos de documentação provatória dos acontecimentos abordados, e com isto pretendemos elevar a atratividade da Casa-Museu, captando um maior número de visitas ao longo de todo o ano", explica o também vereador da Cultura.

Em 2017, a Casa-Museu Ferreira de Castro recebeu cerca de 1.000 visitantes, mas Rui Luzes Cabral quer um aumento significativo dessa afluência até final de 2018, para que, no ano seguinte, se possa pelo menos "duplicar esse número".

O espólio que a Câmara de Oliveira de Azeméis adquiriu para esse efeito - por um valor não revelado, para evitar especulação em eventuais novos negócios do género - integra, por exemplo, 38 fotografias originais da exposição de 1966 sobre os 50 anos da vida literária de Ferreira de Castro, assim como um manuscrito seu de 24 folhas para uma entrevista a publicar pela mesma altura no "Jornal do Comércio".

O novo acervo inclui também 37 cartas de teor literário escritas no período de 1947 a 1973, a partir de locais como Lisboa, Funchal, Coimbra, Caldas das Taipas, Entre-os-Rios e até Paris, e ainda um envelope com três outras missivas expressando as últimas vontades do escritor, já no seu último ano de vida.

Da lista de novas aquisições para o fundo sobre Ferreira de Castro consta também o guião do documentário de 1971 que o canal Telecine produziu sobre a sua vida e obra, com locução de Álvaro Salema e realização de Faria de Almeida, e o documento original da candidatura do escritor a Prémio Nobel da Literatura, proposta e assinada por escritores e jornalistas como Assis Esperança, Roberto Nobre, Alexandre Cabral e Armindo Rodrigues e Manuel da Fonseca.

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