Alentejo e Algarve querem centro que investigue agricultura e ambiente no Mediterrâneo

Évora, 28 mai 2019 (Lusa) -- Quatro centros de investigação do Alentejo e Algarve "juntaram esforços" e querem criar um centro único especializado em investigar temas de agricultura e ambiente no Mediterrâneo, para responder a novas necessidades face às alterações climáticas.

"Estes quatro centros atuam em áreas complementares e, como somos todos focados sobre sistemas do Mediterrâneo, achámos que faria sentido juntarmos esforços", destacou hoje à agência Lusa Teresa Pinto Correia, diretora do Instituto de Ciências Agrárias e Ambientais Mediterrânicas (ICAAM) da Universidade de Évora (UÉ).

O projeto do centro MED - Mediterranean Institute for Agriculture, Environment and Development, já candidatado à Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT), a ser aprovado, irá permitir aos quatro centros envolvidos "aumentarem a sua massa crítica e o tipo de sistemas acerca dos quais podem dar resposta em termos de investigação", acrescentou a responsável.

A criação do MED (que em português pode ser traduzido como Instituto para a Agricultura, Ambiente e Desenvolvimento no Mediterrâneo) é fruto de uma parceria entre três centros de investigação alentejanos e um algarvio.

Do Alentejo, a iniciativa tem a participação do ICAAM e do Polo de Évora do Cibio - Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos, ambos da UÉ, assim como do Centro de Biotecnologia Agrícola e Agroalimentar do Alentejo (CEBAL), localizado em Beja.

O MeditBio - Centro para os Recursos Biológicos e Alimentos Mediterrânicos da Universidade do Algarve é a outra unidade de investigação participante no projeto.

Caso a FCT aprove a candidatura "apresentada no ano passado" e que ainda se encontra "em fase de avaliação", disse hoje Teresa Pinto Correia, o centro MED vai ter cerca de 180 investigadores doutorados.

"E será a única unidade de investigação na integração entre agricultura, alimentação, desenvolvimento rural e ambiente" a existir "no sul do país", destacou o ICAAM.

A diretora do ICAAM explicou que os centros envolvidos, "como estão no sul do país, têm um foco maior sobre os sistemas produtivos e os ecossistemas do Mediterrâneo".

"Um atua do lado da conservação e das alterações climáticas, outro na agricultura e no território, outro na área da biotecnologia e o outro nas questões da produção de hortícolas e frutícolas. Podemos cruzar todas estas áreas e potenciar a nossa investigação", argumentou.

E, "face às questões das alterações climáticas, ainda é mais necessário" apostar nesta investigação aplicada especializada no Mediterrâneo, defendeu.

"É muito difícil manter os sistemas da forma como têm vindo a ser desenvolvidos, porque eles tem de se adaptar a condições novas e temos de tentar minimizar os impactos negativos. Por isso, o objetivo do MED é fazer investigação que responda às questões práticas e, sobretudo, às que têm a ver com as novas necessidades face às alterações do clima", frisou.

Para dar visibilidade à investigação que já é desenvolvida nos quatro centros que pretendem criar o MED e dar visibilidade ao projeto, o Polo da Mitra da UÉ vai acolher, nos dias 27 e 28 de junho, as primeiras Jornadas MED, que têm como tema central "A Agricultura e o Ambiente no Mediterrâneo".

Exclusivos