Hervé Falciani, envolvido nas 'Swissleaks', detido em Espanha a pedido da Suíça

Um antigo informático franco-italiano do banco HSBC Suisse, Hervé Falciani, no centro do escândalo conhecido como 'Swissleaks', sobre as práticas de evasão fiscal de clientes do banco, foi hoje detido em Madrid, a pedido da Suíça, indicou fonte policial.

"A sua detenção ocorreu em Madrid, na rua, quando ia para uma conferência", e foi feita a pedido da Suíça, "que solicita a sua extradição", declarou um alto responsável da polícia, citado pela agência de notícias francesa AFP, embora sem precisar por que factos ele era procurado.

O escândalo 'Swissleaks', desencadeado pelo furto de dezenas de milhares de documentos bancários, revelou a existência de contas não-declaradas na filial genovesa do HSBC, pertencentes a milhares de "evadidos fiscais" de todo o mundo.

Hervé Falciani é considerado um herói entre os denunciantes do mundo financeiro global, tendo os arquivos do banco HSBC permitido a um consórcio de jornalistas liderado pelo diário francês Le Monde pôr a nu um gigantesco sistema de evasão fiscal europeu.

O escândalo rebentou em 2009, quando o Ministério da Economia francês revelou que dispunha de uma lista de 3.000 cidadãos franceses titulares de contas na Suíça onde estavam depositados cerca de três mil milhões de euros.

No final desse ano, os ficheiros da "lista Falciani" tinham permitido identificar 127.000 contas pertencentes a 79.000 pessoas de 180 nacionalidades, entre as quais 8.231 franceses.

Os dados fornecidos por Hervé Falciani desencadearam condenações e investigações fiscais em França, em Espanha, na Argentina e no Reino Unido.

Além disso, a Suíça pôs definitivamente fim, em 2017, ao sigilo bancário.

Por seu turno, Hervé Falciani foi condenado à revelia pelo Tribunal Penal Federal suíço, em novembro de 2015, a cinco anos de prisão por espionagem económica.

O ex-informático já tinha sido detido em 2012 em Barcelona, no norte de Espanha, e mantido sob custódia durante vários meses, na sequência de um pedido de extradição, mas a Justiça espanhola não o entregou à Suíça, tendo ele colaborado durante esse período com o departamento anticorrupção do ministério público.

Segundo a AFP, a Audiência Nacional, jurisdição espanhola normalmente encarregada dos casos de extradição, não dispunha de informação sobre este caso ao fim do dia de hoje.

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