As rixas entre gangues aumentaram e afetam grande parte da Suécia, onde as autoridades tentam conter a violência, um tema que se tornou a maior preocupação do país antes das eleições gerais do próximo domingo (11).."Este é o meu filho, Marley, quando tinha 19 anos", declarou à AFP Maritha Ogilvie, ao mostrar uma foto de um jovem sorridente, uma das várias espalhadas pelo seu apartamento em Estocolmo. "Ele foi atingido por um tiro na cabeça quando estava no carro com um amigo", conta a mulher de 51 anos..O crime ocorrido em 24 de agosto de 2015 em Varbygard, subúrbio pobre no sudoeste de Estocolmo, nunca foi esclarecido e o caso foi encerrado 10 meses depois..Assassinatos como este muitas vezes são acertos de contas entre grupos rivais, geralmente controlados por clãs de migrantes, segundo a polícia, e cada vez mais acontecem em plena luz do dia..A violência é atribuída a confrontos pelo mercado de drogas e a vinganças pessoais. O nível de violência aumentou a tal ponto que a Suécia, um dos países mais ricos e igualitários do mundo, encabeça atualmente a classificação europeia de tiroteios fatais..De acordo com um relatório publicado no ano passado pelo Conselho Nacional de Prevenção do Crime, entre 22 países com dados comparáveis apenas a Croácia teve mais tiroteios mortais. E nenhum Estado registou um aumento mais intenso do que a Suécia na última década.. Apesar das várias medidas adotadas pelo governo social-democrata para conter o avanço dos gangues, incluindo sentenças de prisão severas e mais recursos para a polícia, o número de mortos e feridos continua a aumentar..Desde janeiro, 48 pessoas foram mortas por armas de fogo na Suécia, três mais do que em todo o ano de 2021..Ataques com bombas contra casas e carros também são frequentes, assim como o uso de granadas. Pela primeira vez, o crime supera outros temas relacionados ao bem-estar, como saúde e educação, como a principal preocupação dos suecos para as eleições gerais de domingo..A violência antes estava restrita a áreas frequentadas pelos criminosos, mas atualmente afeta espaços públicos, o que gera preocupação entre os suecos, acostumados a um país seguro e pacífico..Em 19 de agosto, um homem de 31 anos identificado como líder de um gangue em Malmo, terceira maior cidade da Suécia, foi morto a tiro no centro comercial Emporia, meses após o assassinato do irmão. Um adolescente de 15 anos foi detido pelo crime..Uma semana depois, uma jovem e o filho foram feridos por balas perdidas quando brincavam num parque em Eskilstuna, localidade tranquila de 67.000 habitantes a oeste de Estocolmo..A oposição de direita, liderada pelo partido conservador Moderados e pelo Democratas da Suécia, de extrema-direita, promete restaurar a lei e a ordem se chegar ao poder..Ao mesmo tempo, a primeira-ministra Magdalena Andersson prometeu uma "ofensiva nacional" contra "um flagelo que representa uma ameaça para toda a Suécia".. Anderson afirma que o aumento dos números da criminalidade se deve ao surgimento de "sociedades paralelas" como, por exemplo, "muita imigração e muito pouca integração"..Jacob Fraiman, ex-criminoso que trabalha atualmente para ajudar membros de gangues a abandonar esta vida, afirma que está impactado pelo nível de violência.."Eu sou de outra geração, obviamente também tínhamos armas, mas não era frequente atirar em alguém", declarou à AFP em Sodertalje, cidade industrial ao sul de Estocolmo. "Antes atirava nas pernas. Agora dizem para atirar na cabeça"..Na esquadra da polícia de Rinkeby, subúrbio de Estocolmo, o agente Michael Cojocaru, de 26 anos, e os colegas enfrentam com frequência uma violência brutal e apreendem armas, granadas e explosivos. "É como uma sociedade totalmente diferente (...) outro tipo de Suécia", comenta..Analistas atribuem a escalada de violência a fatores como a segregação e as dificuldades económicas dos migrantes, assim como um grande mercado paralelo de armas..Maritha Ogilvie tenta entender a morte do filho. "Ele era um jovem normal", afirma. "Não sei como perderam o controlo de certas áreas (da sociedade), mas aconteceu", lamenta. "E continua a piorar".