Uma investigação das televisões públicas da Dinamarca (DR), Noruega (NRK), Finlândia (YLE) e Suécia (SVT) aponta para um sistemático uso de navios russos para espiar as redes de cabos submarinos desde o Báltico às ilhas britânicas para uma possível sabotagem. Kiev reconhece o avanço russo em Bakhmut, no leste ucraniano, onde dois ex-prisioneiros russos estiveram em combate e contaram as atrocidades que fizeram a uma organização de direitos humanos russa a funcionar no exílio..Navios oceanográficos, cargueiros, iates ou traineiras: ao longo da última década pelo menos 50 navios russos equipado com tecnologia de vigilância de rádio e subaquática terão recolhido informações de forma clandestina em águas norueguesas..DestaquedestaqueAo chegar junto do navio científico russo, a lancha com jornalistas deparou-se com homens mascarados e armados..No primeiro episódio da investigação, jornalistas abordam o navio científico Almirante Vladimirsky - que tinha desligado o sistema de geolocalização e foi intercetado graças à deteção de mensagens enviadas para terra - numa lancha rápida e ao aproximarem-se observam vários homens com passa-montanhas na cara e com armas nas mãos..A investigação mostra que o navio oceanográfico Almirante Vladimirsky, que partiu de Kronstadt, perto de São Petersburgo, em novembro de 2022, navegou com o Sistema de Identificação Automática (AIS) desligado para ocultar a localização, tendo permanecido ao largo da costa escocesa junto de uma área onde se encontram dois parques eólicos offshore, seguido para perto de outros dois ingleses e, por fim, para um dinamarquês, antes de aportar em Kaliningrado..O objetivo oficial da viagem era de prospeção de infraestruturas de energia, mas segundo os serviços de informações nórdicos estes navios enviam as informações recolhidas para um departamento do Ministério da Defesa russo cujo programa consiste em poder atacar, se necessário, as infraestruturas submarinas de países ocidentais como os cabos de comunicações ou as ligações de energia..A esta investigação acrescenta-se que os serviços secretos noruegueses avisaram que a frota russa do norte passou a estar equipada com armas nucleares pela primeira vez desde o desaparecimento da União Soviética..Para Moscovo, "os meios de comunicação destes países cometeram um erro na sua investigação" e "preferem uma vez mais acusar a Rússia sem base". "Preferíamos que concentrassem mais atenção nos ataques contra o[s gasodutos] Nord Stream e num inquérito internacional transparente e imparcial", considerou o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov..O dia ficou também marcado pela revelação de pormenores de crimes de guerra executados por dois ex-comandantes do grupo de mercenários Wagner. Ao longo de uma semana, Azmat Uldarov e Alexey Savichev, recrutados nas prisões russas, contaram em vídeo a Vladimir Osechkin, diretor do grupo de direitos humanos Gulagu, os horrores que viram e fizeram no leste da Ucrânia, desde matar dezenas de civis em edifícios residenciais em Bakhmut e Soledar, a fazer explodir fossos com dezenas de prisioneiros, ou ainda a liquidar compatriotas que se recusavam a combater. "Ao entrarmos em Soledar e Bakhmut, recebemos a ordem para aniquilar toda a gente: homens, mulheres, crianças, idosos. Uma menina, não sabia se tinha 5 ou 6 anos, gritava. E eu matei-a", disse Uldarov..Ambos garantiram que foi o próprio dono do grupo Wagner, Yevgeny Prigozhin, quem deu ordens para os fuzilamentos e assassínios. Prigozhin - que de acordo com o norte-americano Institute for the Study of War está a recuperar crédito junto de Vladimir Putin - negou que os seus combatentes matem crianças ou civis..O governo ucraniano - que anunciou a chegada de baterias do sistema norte-americano de defesa antiaérea Patriot e do alemão Iris-T - reconheceu os avanços russos em Bakhmut, tendo avançado com uma explicação para os mesmos: "Pelo facto de nos estarem a perder em combates de rua, recorreram às táticas que utilizaram na Síria e estão a arrasar edifícios da face da terra", comparou a vice-ministra da Defesa Hanna Maliar. A mesma explicou que a propalada contraofensiva não será anunciada publicamente e que algumas medidas já estão a ser tomadas, além de que os comandantes têm vários planos para optar consoante os desenvolvimentos no terreno. "É necessário compreender que tais decisões são tomadas num período de tempo muito curto. E o plano é por fim escolhido de tal forma que o inimigo não tem tempo para reagir", disse..Ao nível político, depois de a Bulgária se juntar à Polónia, Hungria e Eslováquia para restringir a entrada de cereais ucranianos, a presidente da Comissão Europeia propôs desbloquear cem milhões de euros suplementares para ajudar os agricultores do leste europeu, depois de no mês passado ter avançado com 56,3 milhões..cesar.avo@dn.pt