A União Europeia disse estar a planear uma retirada dos seus cidadãos de Cartum quando a segurança o permitir, enquanto os confrontos armados na capital sudanesa prosseguem sem fim à vista. Para esse esforço o governo espanhol já enviou dois aviões militares de transporte. Também o Japão e a Coreia do Sul tomaram medidas semelhantes..Associações civis sudanesas e líderes internacionais - com o secretário-geral da ONU António Guterres à cabeça - tinham apelado para um cessar-fogo de três dias para permitir que as pessoas se reunissem para o feriado que marca o fim do Ramadão, bem como para poder retirar civis e possibilitar a distribuição de víveres e assistência médica..O líder do país, o militar Abdel Fattah al-Burhan, ignorou de novo os apelos para uma trégua, com os quais o líder dos paramilitares que o querem derrubar, Mohamed Hamdan Daglo (conhecido como Hemeti), havia concordado. Os residentes da capital relataram pelo sétimo dia intensos bombardeamentos e tiroteios nas ruas. Pelo menos 413 pessoas - entre as quais pelo menos nove crianças - foram mortas e 3551 outras ficaram feridas nos confrontos, de acordo com a Organização Mundial de Saúde..Uma situação que não está circunscrita a Cartum. Cerca de 20 mil pessoas fugiram da região de Darfur para o Chade, segundo o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados..A União Europeia, que já viu um alto funcionário humanitário seu ferido e o seu embaixador "agredido" na sua residência, está a "tentar coordenar uma operação" para tirar os civis da cidade, adiantou um alto funcionário da UE, citado pela AFP..O mesmo, que retratou Cartum "numa situação de alto risco", disse que Bruxelas está a "trabalhar em diferentes possibilidades de retirar pessoas". Para realizar tal operação seria necessário três dias sem violência. "Vamos acompanhar de perto a situação para esperar pelo momento em que isso possa ser feito", acrescentou. "Por enquanto, a avaliação das pessoas no terreno, incluindo a embaixada da UE, é que não existem condições de segurança para avançar com uma operação deste tipo", prosseguiu..O funcionário indicou ainda que a UE e os sete estados membros com missões diplomáticas no Sudão, incluindo a França, Alemanha e Itália, estavam a tentar levar os cidadãos da UE retidos em Cartum por estrada porque o aeroporto está encerrado. Estima-se que estejam na capital sudanesa cerca de 1500 europeus..Para essa operação, a força aérea espanhola já posicionou dois aviões de transporte A400 a cerca de 1300 quilómetros, no pequeno estado do Djibuti, onde a França (que hospeda forças alemãs e espanholas), Itália, EUA, Reino Unido e China têm bases militares. Também Tóquio, que tem 60 cidadãos no país em conflito, e Seul, que conta com 26 pessoas no Sudão, enviaram cada qual um C-130 com soldados para o Djibuti.