Ucrânia. Comandante militar acusado de obrigar soldados a construir casa privada

O Serviço Nacional de Investigação ucraniano disse que o vice-comandante foi notificado da "suspeita de abuso de posição oficial e de excesso de autoridade oficial". Se for considerado culpado, enfrenta uma pena de prisão até 12 anos.
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As autoridades ucranianas acusaram o vice-comandante de um batalhão em Odessa (sul) de ter obrigado os subordinados a construir-lhe uma vivenda privada, noticiou esta sexta-feira a imprensa local.

"Desde agosto de 2022, o vice-comandante da unidade militar deu instruções aos soldados para, em vez de cumprirem os deveres de defesa e proteção da Ucrânia, construírem uma propriedade para ele perto de Odessa", denunciaram os investigadores.

Segundo o 'site' do jornal Ukrainska Pravda, enquanto os soldados trabalhavam como operários da construção civil, recebiam salários como militares, pelo que o Estado foi lesado no equivalente a cerca de 50 mil euros.

O Serviço Nacional de Investigação ucraniano disse que o vice-comandante foi notificado da "suspeita de abuso de posição oficial e de excesso de autoridade oficial".

Se for considerado culpado, enfrenta uma pena de prisão até 12 anos, acrescentaram as autoridades.

A luta contra a corrupção é uma das exigências da Comissão Europeia para que a Ucrânia possa aderir à União Europeia (UE).

O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, anunciou há uma semana a demissão dos chefes dos serviços de recrutamento militar devido ao alto número de casos de corrupção.

"O sistema deve ser gerido por pessoas que sabem exatamente o que é a guerra e porque é que o cinismo e o suborno em tempo de guerra são traição", afirmou, na altura.

Zelensky denunciou, então, que havia abusos em várias regiões do país, incluindo Odessa.

Desde o início do ano, os organismos anticorrupção do país revelaram dois casos de grande visibilidade.

Em maio, o presidente do Supremo Tribunal foi detido no âmbito de um processo de corrupção que envolveu o equivalente a cerca de 2,4 milhões de euros.

Em janeiro, um caso relacionado com fornecimentos do exército levou a uma série de demissões em ministérios, regiões e no sistema judicial do país.

As reformas prioritárias exigidas por Bruxelas envolvem também o sistema judiciário, tendo Zelensky alterado, na quinta-feira, as regras de seleção dos juízes do Tribunal Constitucional.

"Acabei de assinar uma das principais leis que a Ucrânia precisa para iniciar as negociações com a União Europeia sobre a adesão do nosso país", afirmou Zelensky no habitual discurso diário.

Segundo referiu, a nova lei "garante uma seleção transparente, profissional e justa dos juízes do Tribunal Constitucional".

A Ucrânia formalizou o pedido de adesão à UE em 28 de fevereiro de 2022, quatro dias depois de a Rússia ter invadido o país, e recebeu o estatuto de país candidato em junho.

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