Uma carta ameaçadora enviada pelas autoridades educativas locais aos pais de um rapaz que morreu por suicídio depois de se ter queixado de ser vítima de bullying está a agitar o debate em França, com o governo a considerar a comunicação como "vergonhosa"..O rapaz, de nome Nicolas, 15 anos, suicidou-se a 5 de setembro, um dia depois de as crianças regressarem às aulas em França após as férias de verão..Nicolas tinha mudado de escola para frequentar um estabelecimento de ensino em Paris, mas tinha-se queixado de ter sido vítima de bullying no último ano letivo na sua escola anterior em Poissy, na região de Yvelines, a sudoeste da capital..Mas as autoridades educativas da região de Yvelines, com sede em Versalhes, em vez de se solidarizarem com a situação da família, enviaram-lhes uma carta em que diziam que as declarações dos pais eram "inaceitáveis", exortando-os a adotar uma atitude "construtiva"..A carta lembrava mesmo que, em França, a difamação pode ser considerada uma infração penal punível com até cinco anos de prisão e uma pesada multa de até 45 mil euros.."Esta carta é vergonhosa, vergonhosa", declarou o ministro da Educação, Gabriel Attal, sobre a missiva enviada em maio, mas cuja existência foi noticiada pela primeira vez na semana passada pelo canal BFMTV..A primeira-ministra Elisabeth Borne descreveu a carta como "chocante" e acrescentou que "houve claramente uma falha no tipo de resposta dirigida aos pais que estavam extremamente preocupados"..Attal disse que os inspetores tinham lançado um inquérito que apresentaria as suas conclusões dentro de duas semanas, com possíveis sanções. O rapaz queixou-se pela primeira vez de bullying em dezembro de 2022.."Fiz da luta contra o bullying a prioridade absoluta", mas "ainda não estamos à altura da tarefa", admitiu Attal, que se reuniu com a família do rapaz ao lado da primeira-dama Brigitte Macron..Attal, de 34 anos, que se tornou ministro da Educação numa remodelação feita este verão, é visto como um dos ministros mais ambiciosos e eficazes do governo do Presidente Emmanuel Macron..Tornou a luta contra o bullying uma prioridade depois de uma série de suicídios de crianças nos últimos anos que se queixaram de ser vítimas de bullying na escola.."A revelação de uma carta ameaçadora da reitoria revela os fracassos da educação nacional", afirma o diário Le Monde..Os procuradores de Versalhes estão a tentar investigar se o suicídio está diretamente relacionado com o bullying, mas não querem tirar conclusões para já.