As autoridades da região ucraniana de Lugansk, anexada pela Rússia em setembro passado, acusaram esta sexta-feira de "espionagem" um funcionário da Organização para a Segurança e a Cooperação na Europa (OSCE).."O Ministério de Segurança Estatal da República Popular de Lugansk abriu um processo criminal contra um empregado da Organização para a Segurança e a Cooperação na Europa pelo crime de espionagem", indicou num comunicado, citado pela agência russa Interfax..Segundo a nota, o acusado é um cidadão britânico que estava encarregado de uma missão de operações de 'drones' (aparelhos voadores não-tripulados) em Lugansk..Investigadores locais creem que "por ordem de um serviço especial estrangeiro", o trabalhador da OSCE "recolheu e transmitiu informação" sobre a localização das posições, equipamento militar e armas das milícias populares de Lugansk, bem como "as coordenadas das instalações de infraestruturas civis"..Essa informação, segundo a acusação, foi entregue "à parte ucraniana, que a utilizou para ataques contra a República Popular de Lugansk"..Anteriormente, tinha sido noticiado que quatro cidadãos ucranianos, funcionários da missão especial de observação da OSCE, que deixou de funcionar em finais de março devido à ofensiva militar russa na Ucrânia, foram detidos no fim de abril passado em território ocupado pelos russos..Desde 2014 -- ano em que a Rússia anexou a península ucraniana da Crimeia -, a Missão de Observação da OSCE tinha no terreno centenas de observadores internacionais desarmados que informavam sobre a situação na chamada "linha de contacto" entre o exército ucraniano e rebeldes separatistas pró-russos na região do Donbass, no leste da Ucrânia..A ofensiva militar lançada a 24 de fevereiro de 2022 pela Rússia na Ucrânia causou até agora a fuga de mais de 14 milhões de pessoas -- 6,5 milhões de deslocados internos e mais de 7,9 milhões para países europeus -, de acordo com os mais recentes dados da ONU, que classifica esta crise de refugiados como a pior na Europa desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945)..Neste momento, 17,7 milhões de ucranianos precisam de ajuda humanitária e 9,3 milhões necessitam de ajuda alimentar e alojamento..A invasão russa -- justificada pelo Presidente russo, Vladimir Putin, com a necessidade de "desnazificar" e desmilitarizar a Ucrânia para segurança da Rússia - foi condenada pela generalidade da comunidade internacional, que tem respondido com envio de armamento para a Ucrânia e imposição à Rússia de sanções políticas e económicas..A ONU apresentou como confirmados desde o início da guerra, que hoje entrou no seu 324.º dia, 6.952 civis mortos e 11.144 feridos, sublinhando que estes números estão muito aquém dos reais.