Rússia sofre perdas no Mar Negro e em Donetsk

Dois navios foram atingidos por drones. Segundo Kiev, num mês, a batalha por Avdiivka custou dez mil homens a Moscovo.
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Com a guerra nas frentes a sofrer pequenas alterações, mas muitas baixas russas, segundo Kiev, as forças ucranianas voltaram a usar drones navais com sucesso, tendo atingido dois navios junto da Crimeia.

Um ataque ucraniano danificou na noite de ontem dois navios russos de desembarque anfíbio junto à costa ocidental da península ocupada da Crimeia, em Chornomorske. A informação, dada pelos Serviços Secretos Militares de Kiev (GUR) à agência noticiosa Ukrinform, foi mais tarde confirmada com um vídeo da operação. Além de um número indeterminado de militares, os navios da classe Serna transportavam veículos blindados de transporte BTR-82. Em maio de 2022, um outro navio desta classe foi destruído por um drone Bayraktar, quando estava ancorado na Ilha das Serpentes.

Antes, um canal no Telegram relatou, em paralelo, um ataque na mesma área da Crimeia que teria destruído uma infraestrutura que abrigaria pessoal militar. A Ucrânia tem atacado com frequência alvos militares e infraestruturas na Crimeia, a península do Mar Negro ocupada pela Rússia desde 2014.

DestaquedestaquePutin reuniu-se com as altas patentes militares em Rostov-do-Don, onde viu um veículo todo-o-terreno chinês.

A uns 800 quilómetros de distância, o líder russo voltou a visitar Rostov-do-Don, a cidade que alberga o quartel-general das forças russas no sul do país e de onde partiu a falhada revolta do mercenário Prigozhin. Durante a visita, Vladimir Putin reuniu-se com o ministro da Defesa, Sergei Shoigu, o chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas russas, Valery Gerasimov, e com o comandante local, que o informaram sobre a campanha militar na Ucrânia.

As agências estatais russas publicaram fotografias e vídeos de Shoigu a mostrar a Putin um veículo todo-o-terreno chinês e, segundo uma placa colocada ao lado do veículo, o Exército Russo tem atualmente 537 quadriciclos deste modelo usado para reconhecimento e resgate, e planeia adquirir mais 1590.

Desconhece-se se a reunião abordou a batalha por Avdiivka. Segundo o Estado-Maior ucraniano, a Rússia perdeu, só nas últimas 24 horas, mais de mil militares, a maior parte dos quais junto daquela cidade vizinha de Donetsk. Segundo o relatório do Estado-Maior de Kiev, "os combatentes ucranianos estão a manter as suas posições e a infligir pesadas perdas aos ocupantes".

Mais tarde, foi o próprio chefe das Forças Armadas Ucranianas, Valerii Zaluzhny, quem lembrou que os invasores estão há um mês a tentar tomar Avdiivka e que a operação se salda por um desastre russo. "Durante este tempo, os nossos soldados destruíram mais de 100 tanques inimigos, 250 outros veículos blindados, cerca de 50 sistemas de artilharia e sete aviões Su-25. As perdas totais do inimigo, em termos de efetivos, ascenderam a cerca de dez mil pessoas", comunicou o general.

Em Kherson, segundo o Instituto para o Estudo da Guerra, as forças ucranianas continuam a expandir operações na margem esquerda do Dniepre, o que, segundo este think-tank norte-americano, levará Moscovo a ter de escolher entre deixar agravar a situação ou reforçar o terreno à custa da defesa de Zaporíjia.

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