Procurado por terrorismo na Índia raptou e espancou em Portugal

Apesar de ser alvo de um mandado de captura internacional, Iqbal Singh acabou libertado pelo Tribunal de Relação. Depois cometeu crimes graves também Portugal.
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O Ministério Público (MP) confirmou as suspeitas contra um alegado terrorista procurado na Índia que terá cometido crimes também em Portugal. Iqbal Singh foi acusado nesta semana, juntamente com outros quatro arguidos, por crimes de rapto, roubo e ofensa à integridade física qualificada, que terão sido cometidos em agosto do ano passado contra um outro cidadão hindustânico em Odivelas.

Singh, natural da Índia, que pertencerá a uma organização insurgente do Paquistão, de cariz islâmico, que pretende conquistar Caxemira, terá cometido no seu país crimes graves e tinha sido detido pela Polícia Judiciária em outubro passado, juntamente com três outros acusados, e todos estão em prisão preventiva.

Este suspeito, procurado na Índia por terrorismo, associação criminosa e tráfico de heroína, já tinha sido detido antes, em 2020, quando tentava obter uma autorização de residência e as autoridades constataram a existência de um mandado de detenção internacional.

O caso foi revelado pela CNN Portugal que contou também que Iqbal ficara sujeito a prisão preventiva a aguardar a decisão do Tribunal de Relação (que decide sobre pedidos de extradição).

As autoridades indianas ainda pediram a extradição com "a garantia soberana e irrevogável" de que o arguido não seria sujeito a pena superior a 25 anos, o limite previsto pelo nosso Código Penal (Portugal não extradita para países com pena de morte ou prisão perpétua, como é o caso da Índia). No entanto, os juízes desembargadores decidiram indeferir e Iqbal acabaria por ser libertado em outubro de 2021.

Menos de um ano depois, em agosto de 2022, de acordo com a descrição do MP, foi contactado por familiares da mulher da vítima (NS) deste caso, descontentes com a separação do casal que tinha ocorrido há poucas semanas. Querendo vingar-se do homem, pediram a Iqbal que o agredisse e obrigasse a pagar cerca de 45 mil euros.

Iqbal contou com a ajuda de outros conterrâneos e usaram como "isco" para atrair NS uma mulher, também de origem hindustânica, que o convenceu a ajudá-la numa suposta mudança de residência de Lisboa para Torres Vedras.

A 26 de agosto, na estação de metro do Senhor Roubado, Odivelas, onde tinha combinado encontrar-se com a mulher, recebeu um novo telefonema desta a indicar um apartamento próximo para o qual se deveria dirigir.

Mas quando NS chegou à porta do prédio teve uma surpresa: foi "súbita e abruptamente abordado por três ou quatro indivíduos", segundo testemunhou, também hindustânicos.

De acordo com a acusação deduzida pelo Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) de Lisboa, "enquanto dois deles lhe agarravam as mãos", os restantes "desferiram-lhe inúmeros socos nas costas, na cabeça e o empurraram até ao primeiro andar, obrigando-o a entrar no apartamento ali existente".

Nesse local, é assinalado, estavam outros dos arguidos, entre os quais Iqbal, que continuaram com as agressões "durante cerca de 20 minutos", com "inúmeros socos, chapadas, pontapés e cotoveladas, por várias partes do corpo" e, a certa altura, deitando-o no chão e continuando "a desferir-lhe chapadas, pontapés e murros".

Enquanto as agressões decorriam, sustenta o MP, Iqbal utilizou o telemóvel da vítima para efetuar uma videochamada para a Índia e falou com o cunhado e o sogro do ofendido que lhe disseram: "Batam-lhe mais". Um dos presentes tirou o cinto das calças de NS e usou-o para o atingir nas costas e cabeça. "Vamos atirar-te de uma ponte", terá dito um deles, questionando-o também porque tinha deixado a mulher. De seguida despiram-lhe as calças e as cuecas e um dos arguidos "desferiu cerca de 10 pancadas na zona genital".

Terá sido, indica a acusação, Iqbal Singh quem disse a NS que teria de pagar os 45 mil euros para serem entregues à família da mulher na Índia, caso contrário, matá-lo-iam. Obrigaram-no ainda a "a tocar com o seu nariz no chão, como forma de subjugação perante os mesmos, momento registado em vídeo". Este rapto e agressões duraram até cerca da 01.30 da madrugada de dia 27, tendo NS sido levado e abandonado junto do jardim do Campo Grande.

Pediu ajuda a um estafeta da Bolt que lhe emprestou os seu telemóvel para pedir ajuda a familiares, tendo um amigo ido ter com ele, transportando-o depois para o hospital de Santa Maria. "O ofendido sofreu fenómenos dolorosos na cabeça e face, nas costas, hematoma exuberante do pavilhão auricular poupando o lóbulo, equimoses, escoriações e edemas, na cabeça, face, pescoço, tórax e membro inferior direito".

A investigação do DIAP de Lisboa e coadjuvada pela Unidade Nacional de Contraterrorismo da Polícia Judiciária identificou cinco suspeitos, entre os quais Iqbal Singh, que acusou. Todos se encontram em prisão preventiva desde que foram detidos pela PJ. É entendimento do MP que os pressupostos da prisão preventiva dos arguidos não se mostram alterados e que devem aguardar o desfecho do processo na cadeia.

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