Chile terá uma segunda volta entre Kast e Boric

Eleitores confirmam a fuga ao centro e aos partidos tradicionais, dividindo-se entre o "Bolsonaro chileno" e o ex-líder estudantil cuja aliança de esquerda inclui o Partido Comunista.

José Antonio Kast, do Partido Republicano, conhecido como o "Bolsonaro chileno", e Gabriel Boric, antigo líder estudantil nos protestos de 2011 que lidera a candidatura de uma aliança de esquerda, que inclui o Partido Comunista, vão disputar a segunda volta das presidenciais no Chile.

Os primeiros resultados das eleições deste domingo confirmam a tendência que as sondagens já apontavam.

A 19 de dezembro haverá assim uma escolha entre dois extremos, com os eleitores a confirmar o descontentamento com as alianças de centro-direita e centro-esquerda que têm governado o Chile. O sucessor do presidente Sebastián Piñera toma posse a 11 de março.

Com quase 60% dos votos contados, Kast tinha 28,5% dos votos e Boric tinha 24,7%. À medida que os votos são contados tem vindo a diminuir a diferença entre os dois. Boric, que tem apenas 35 anos, será o mais jovem presidente do Chile se ganhar.

Os outros cinco candidatos estavam a uma distância de mais de dez pontos percentuais: Franco Parisi, que está radicado nos EUA e fez a campanha à distância, tinha 13,5% dos votos, Yasna Provoste, da aliança de centro-esquerda herdeira da Concertação que elegeu Michelle Bachelet, tinha 12,2% e Sebastián Sichel, o candidato da coligação de centro-direita no poder, a ter 12,1%. Marco-Enríquez-Ominami tinha 7,6% e Eduardo Artés tinha 1,4%.

Na secção consular de Lisboa, o mais votado foi Gabriel Boric, tendo recebido 144 votos (67,92%), sem Sebastián Sichel a ser segundo, com 36 votos (16,98%). Kast foi terceiro, tendo tido 17 votos (8,02%). Houve 213 chilenos a votar em Portugal.

Estas são as quartas eleições realizadas desde outubro de 2020 no Chile, quando foi celebrado o plebiscito para definir a mudança da Constituição herdada de Augusto Pinochet (1973-1990). Kast foi contra esta alteração, tendo defendido a continuação do modelo neoliberal herdado da ditadura de Pinochet (que chegou a defender). Na campanha, prometeu impor "ordem, segurança e liberdade".

Nestas eleições está em jogo uma mudança no modelo económico e político, que trouxe estabilidade e prosperidade económica, mas também aumentou a desigualdade social, contra a qual milhões de chilenos protestaram nos protestos de há dois anos.

Reações dos candidatos

Na reação aos resultados preliminares, Sichel admitiu a derrota e deixou claro que na segunda volta não votará em Boric. "Não quero que ganhe a extrema esquerda no Chile", afirmou.

Também Provoste admitiu a derrota: "A nossa candidatura não conseguiu mobilizar os apoios suficientes para estar na segunda volta", afirmou.

Álvaro Elizalde, presidente do Partido Socialista de Chile, que apoiou a candidatura de Provoste, apelou ao voto em Boric na segunda volta, considerando que Kast "constitui uma ameaça para a vida quotidiana de todos os chilenos".

(Notícia atualizada às 23.45)

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