Mulheres afegãs desafiam talibãs com armas em manifestações nas ruas

As manifestações têm sido um lembrete de como muitas mulheres estão assustadas com o que os talibãs lhes podem fazer e às suas famílias.

Mulheres têm desafiado os talibãs com manifestações públicas no norte e no centro do Afeganistão, nos últimos dias, empunhando armas e gritando palavras de ordem contra o grupo extremista, que tem lançado várias ofensivas em todo o país.

De acordo com uma reportagem do jornal britânico The Guardian, uma das maiores manifestações ocorreu na província central de Ghor, onde centenas de mulheres saíram à rua no fim de semana.

As manifestações têm sido um lembrete de como muitas mulheres estão assustadas com o que os talibãs lhes podem fazer e às suas famílias.

"Algumas mulheres queriam apenas inspirar as forças de segurança, só de forma simbólica, mas muitas estariam prontas para ir para os campos de batalha", disse Halima Parastish, chefe da direção feminina em Ghor, reforçando: "Isso inclui-me a mim. Eu e outras mulheres dissemos ao governador há cerca de um mês que estamos prontas para ir [para a guerra] e lutar".

Os talibãs têm varrido a zona rural do Afeganistão, lançando ofensivas contra dezenas de distritos, inclusive lugares como a província de Badakhashan (norte), que há 20 anos era um refúgio anti-talibã.

Neste momento, os talibãs controlam várias províncias do Afeganistão.

Nas zonas que controlam, os talibãs já impuseram restrições à educação das mulheres, à sua liberdade de movimento e às suas roupas, segundo ativistas e residentes. Numa província, de acordo com o The Guardian, já circulavam panfletos exigindo o uso da burca.

Mesmo as mulheres de áreas rurais extremamente conservadoras aspiram a mais educação, maior liberdade e um papel maior na família, de acordo com um estudo, mas o regime do grupo extremista as levará na direção contrária.

"Nenhuma mulher quer lutar, eu só quero continuar a minha educação e ficar longe da violência, mas as condições fizeram com que eu e outras mulheres nos erguêssemos", afirmou uma jornalista, de cerca de 20 anos, do norte de Jowzjan.

Pedindo para não ser identificada, por questões de segurança, a jovem explicou que havia algumas dezenas de mulheres a aprender a usar armas de fogo e, apesar da inexperiência, garantiu que teriam vantagem sobre os talibãs.

"Não quero o país sob o controlo de pessoas que tratam as mulheres como eles [talibãs] tratam. Pegamos nas armas para mostrar que se tivermos de lutar, vamos. Eles têm medo de serem mortos por nós, consideram isso uma vergonha", salientou.

Para os militares conservadores, enfrentar as mulheres no campo de batalha pode ser humilhante. Os combatentes do grupo jihadista Estado Islâmico, na Síria, teriam mais medo de morrer nas mãos de mulheres curdas do que nas dos homens.

No Afeganistão, é raro ver uma mulher pegar em armas, especialmente em zonas conservadoras do país.

Em 2020, uma adolescente, Qamar Gul, ficou famosa em todo o país depois de lutar contra um grupo de talibãs que matou os seus pais.

Ao longo das últimas duas décadas, as mulheres afegãs têm se juntado às forças de segurança, embora enfrentem casos de descriminação e assédio por parte de colegas homens e raramente estejam na linha da frente.

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