O presidente da Autoridade Nacional Palestiniana (ANP), Mahmoud Abbas, considerou esta quarta-feira que o pós-guerra em Gaza será um teste à credibilidade dos Estados Unidos de resolver o conflito com base nas resoluções da ONU..Numa entrevista à televisão egípcia ON TV em que falou também sobre as divergências com o grupo islamita Hamas, Abbas, 88 anos, disse estar preparado para o dia seguinte à guerra na Faixa de Gaza.."No dia seguinte, estaremos presentes em Gaza, em qualquer altura, se realizarem uma conferência ou reunião internacional, estaremos prontos para estudar a situação com base na legitimidade internacional e na aplicação dessa legitimidade internacional", disse Abbas..Referiu que isso significa o estabelecimento do Estado da Palestina, "que inclui Gaza, Cisjordânia e Jerusalém Oriental", cidade ocupada por Israel em 1967..Abbas acusou Israel de querer "apoderar-se de partes de Gaza", mas disse que ninguém no mundo está de acordo com os israelitas.."Teoricamente, e digo-o entre parênteses, os Estados Unidos da América [EUA] também não estão de acordo", afirmou, citado pela agência espanhola EFE.."Quando chegar a altura, dir-lhes-emos que é tempo de pôr em prática o que têm dito. Quando chegar a altura, os EUA serão postos à prova", declarou..Abbas insistiu que Gaza faz parte do Estado Palestiniano e que a ANP é contra o corte de qualquer parte do território.."Eles [os EUA] dizem que são contra, por isso vamos dizer-lhes que vamos aplicar o que estão a dizer", declarou.."Os EUA podem ordenar - e digo-o abertamente - que Israel o faça", acrescentou, referindo-se à retirada israelita de Gaza e à criação de um Estado Palestiniano..O presidente da ANP lamentou o veto de Washington às resoluções do Conselho de Segurança da ONU para um cessar-fogo em Gaza, onde disse que está a acontecer "um grande crime", mais do que uma catástrofe.."O que está a acontecer, aos olhos do mundo, é horrível. Infelizmente, sempre que o mundo procura parar a guerra, os EUA respondem com um veto e recusam-se a parar os combates", lamentou..Abbas referiu-se às divergências entre as fações da Organização de Libertação da Palestina (OLP) sobre a forma de atuar, que ficaram patentes numa reunião que os seus representantes, incluindo o Hamas, realizaram em julho, no Egito..Explicou que, nessa reunião, todos concordaram que a OLP é a legítima representante do povo palestiniano e que defendeu uma"resistência popular pacífica", em vez da via militar.."Infelizmente, a conferência não chegou a acordo sobre isto", disse Abbas, referindo que apelou à criação de um comité para prosseguir o diálogo palestiniano, com todas as fações, e convocou uma nova reunião no Cairo.."Ninguém respondeu até agora", afirmou, acrescentando que convida "todos sem exceção" para o diálogo..Poucos meses depois da reunião referida por Abbas, o Hamas atacou Israel em 07 de outubro, numa ação sem precedentes que desencadeou a atual guerra na Faixa de Gaza..No ataque, o Hamas matou 1.200 pessoas e fez duas centenas de reféns, segundo Israel, cuja resposta provocou mais de 20.000 mortos e a destruição de grande parte de Gaza, de acordo com o grupo islamita..O Hamas controla a Faixa de Gaza desde 2007, quando expulsou as forças da ANP do enclave palestiniano..Israel, Estados Unidos e União Europeia (UE) consideram o Hamas como uma organização terrorista.