Lula indica Alckmin como coordenador da equipa de transição

Novo governo brasileiro deve ter 33 ministérios. Haddad, Marina Silva e Simone Tebet vão assumir pastas. Dilma Rousseff pode ser indicada a cargo internacional.
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Lula da Silva escolheu Geraldo Alckmin para liderar a equipa de transição governamental. Até às cerimónias da tomada de posse e da passagem da faixa presidencial, marcadas para dia 1 de janeiro, o futuro vice-presidente comandará uma equipa de 50 pessoas, conforme estabelecido numa lei de 2002 do governo de Fernando Henrique Cardoso, "como forma de minimizar a sensação de rutura política".

Gleisi Hoffmann, presidente do PT, anunciou a decisão de Lula, revelou que ela também fará parte dessa equipa e que o indicado por Jair Bolsonaro para comandar a equipa do governo cessante será Ciro Nogueira, atual ministro da Casa Civil.

Mesmo sem Bolsonaro se pronunciar sobre a sua derrota eleitoral, os trabalhos em Brasília não pararam: Nogueira indicou a Hoffmann o edifício público onde a partir de quinta-feira se vai iniciar o processo de transição e Hamilton Mourão, vice-presidente cessante, convidou Alckmin a visitar o Palácio do Jaburu, a residência oficial do número dois da nação.

À medida que Alckmin e a sua equipa de novos governantes se inteiram dos dossiers deixados pelos antecessores, Lula começa a preparar o próximo executivo, o terceiro sob sua liderança. Como o eleito pretende aumentar o número de ministérios, dos atuais 23, para 33 ou 34 - o de Dilma Rousseff, o último sob liderança do PT, tinha 32 - a especulação sobre os nomes que ocuparão as pastas já começou.

E a primeira certeza é que Dilma não fará parte dele. No entanto, a antiga presidente deve ser indicada para um cargo de prestígio fora do Brasil, beneficiando-se do trânsito entre líderes internacionais.

Quem fará, com certeza, parte do terceiro governo de Lula será Fernando Haddad, candidato derrotado à presidência em 2018 e ao governo de São Paulo no fim de semana. Com formação em filosofia mas também em direito e em economia, Haddad pode ser nomeado ministro da Fazenda, uma vez que Lula já indicou pretender um político e não um técnico no cargo. Mas a Educação, pasta que exerceu nos governos Lula e Dilma, é outra possibilidade.

Simone Tebet, a terceira mais votada na primeira volta das eleições presidenciais, também concorre ao ministério da Educação - é professora -, ao da Justiça - é advogada - e ao da Agricultura - é natural do Mato Grosso do Sul, um dos berços do agronegócio brasileiro. Com Tebet, o PT busca atrair o partido da ainda senadora, o MDB, para a coligação governamental, já com 10 partidos, mas apenas cerca de um quarto dos parlamentares de um Congresso Nacional com tração à direita.

A Marina Silva, três vezes candidata presidencial, está destinada, segundo os primeiros rumores, a pasta do Ambiente, que ocupou no primeiro dos governos do PT. Lula quer dedicar atenção à questão climática e já confirmou até presença na Cimeira das Nações Unidas para o Clima, a COP-27, no Egito, que acontece entre os dias 6 e 18 de novembro.

Outro veterano dos governos do PT, Celso Amorim, pode voltar à pasta das Relações Exteriores, mais uma prioridade de Lula. "Já falei com dezenas de chefes de estado, estamos voltando ao mundo", disse, ontem, o presidente eleito, depois de receber felicitações de 88 países. Já o ex-governador do Maranhão, Flávio Dino, considerado presidenciável enquanto Lula ainda estava impossibilitado de concorrer, é especulado como titular da Justiça ou da Segurança, duas pastas que, com Bolsonaro, começaram por ser integradas num superministério comandado por Sergio Moro.

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