Indicado pelo Governo brasileiro para presidir Petrobras desiste após uma semana

Adriano Pires tinha anunciado um dia antes ter recusado o convite do Governo para concentrar o seu tempo e dedicação para fortalecer a equipa de futebol Flamengo, de que é dirigente.

O Governo brasileiro anunciou esta segunda-feira que Adriano Pires, indicado há cerca de uma semana para presidir a gigante petrolífera Petrobras, recusou a nomeação, na sequência de suspeitas de conflito de interesses levantadas pela imprensa local.

"O Ministério de Minas e Energia informa que o senhor Adriano Pires apresentou carta ao Governo declinando em aceitar sua indicação à Presidência da Petrobras, por motivos pessoais", lê-se na nota oficial.

Na carta enviada ao Ministério de Minas e Energia, Adriano Pires indica é "obrigado a declinar" o convite pelo facto de não ter conseguido se desvincular do Centro Brasileiro de Infraestruturas, empresa de consultadoria do setor de óleo e gás, que preside.

Um dia antes, o empresário Rodolfo Landim, que trabalhou 26 anos na empresa e seria indicado para presidir ao Conselho Administrativo da Petrobras, anunciou ter recusado o convite do Governo para concentrar o seu tempo e dedicação para fortalecer a equipa de futebol Flamengo, de que é dirigente.

Segundo os media brasileiros, tanto Adriano Pires, como Rodolfo Landim, tiveram parecer contrário à entrada na gestão em relatórios da Diretoria de Governança e Conformidade da Petrobras.

Os media locais citaram alegadas suspeitas de conflitos de interesses que pesam sobre Landim e Pires devido à relação próxima que eles teriam com um empresário chamado Carlos Suarez, que tem fortes interesses no setor de gás.

Além da proximidade alegadamente suspeita a empresários do setor de petróleo e gás, Landim está mencionado em investigações de corrupção desvendadas pela operação Lava Jato, que investigou casos de corrupção na estatal brasileira e noutras empresas e órgãos públicos.

Adriano Pires iria Joaquim Silva e Luna entre os conselheiros da empresa indicados pelo acionista maioritário, o Estado brasileiro.

No dia 13 de abril o Conselho da Petrobras reúne-se para escolher quem será o seu novo presidente e também indicar quem será o novo presidente responsável pela administração geral da petrolífera.

As mudanças na Petrobras surgem numa altura em que os preços da gasolina dispararam no Brasil e que, por isso, surgiram várias críticas à empresa estatal por parte dos mais variados quadrantes políticos.

Em meados de março, a Petrobras anunciou um aumento de 18,77% na gasolina, de 24,9% sobre o gasóleo e 16,1% sobre o gás de cozinha, após quase dois meses sem elevar os preços.

A Petrobras é uma empresa controlada pelo Governo brasileiro, porém, o seu capital é misto e tem ações negociadas nas bolsas de valores de São Paulo, Madrid e Nova Iorque.

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