Forças sérvias detiveram três polícias fronteiriços do Kosovo

A Sérvia disse que os polícias estavam armados com armas automáticas e equipamento militar completo incluindo dispositivos de GPS, mapas e outros equipamentos.
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A Sérvia anunciou que prendeu três polícias do Kosovo no seu território esta quarta-feira, com Pristina a responder que o grupo tinha sido sequestrado dentro das suas fronteiras.

O mais recente conflito entre os dois lados ocorre após semanas de tensões e dos tumultos no norte do Kosovo que resultaram em 30 soldados da NATO feridos no final de maio.

A Sérvia disse que os polícias estavam armados com armas automáticas e equipamento militar completo incluindo dispositivos de GPS, mapas e outros equipamentos.

"A tentativa da chamada polícia do Kosovo de invadir o território sérvio foi impedida com sucesso, o que é para todos os efeitos um ato terrorista", diz um comunicado à emissora estatal sérvia RTS.

Um vídeo publicado pela polícia sérvia mostra homens mascarados a puxar um grupo de homens algemados. O Kosovo rejeitou as acusações dizendo que o grupo foi sequestrado.

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A polícia de Kosovo disse que o grupo pertence a uma unidade de patrulha fronteiriça e que desapareceu depois de relatar uma incursão de homens mascarados e armados na área.

O ministro do Interior de Kosovo, Xhelal Svecla, apontou firmemente o dedo à Sérvia por sequestrar o grupo. "A Sérvia criminosa entrou no território de Kosovo e sequestrou três polícias da República do Kosovo, violando as normas internacionais", disse Xhelal Svecla. "Sem dúvida que os nossos polícias estavam estacionados nas profundezas do território da República do Kosovo, num posto de controlo, a cumprir as suas funções".

As tensões aumentaram entre os dois países após a decisão de Pristina de instalar autarcas de etnia albanesa em quatro municípios de maioria sérvia.

Os autarcas foram eleitos em eleições realizadas em abril e foram boicotadas por eleitores de etnia sérvia.

Este episódio é o mais recente de uma longa lista de incidentes que abalaram a área desde que Kosovo declarou a independência da Sérvia em 2008, quase uma década depois de as forças da NATO terem ajudado a expulsar as forças sérvias da antiga província durante uma guerra sangrenta que matou cerca de 13.000 pessoas, a maioria albaneses.

Belgrado, juntamente com os seus principais aliados, a China e a Rússia, recusou-se a reconhecer a independência de Kosovo, impedindo efetivamente o país de ter um lugar nas Nações Unidas.

O Kosovo é predominantemente povoado por pessoas de etnia albanesa.

Nas zonas norte do território perto da fronteira com a Sérvia, os sérvios continuam a ser a maioria em vários municípios.

Há muitos anos que a Sérvia vê o Kosovo como a sua pátria espiritual e histórica, cenário de batalhas cruciais ao longo dos séculos. É no Kosovo que se encontram alguns dos mosteiros mais importantes da Igreja Ortodoxa Sérvia.

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