Felipe Pathé Duarte: "O futuro do Grupo Wagner é incerto"

Três perguntas ao professor e investigador da NOVA School of Law.
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Que impacto tem a morte de Yevgeny Prigozhin para o Grupo Wagner?
O futuro do Grupo Wagner é incerto. A liderança remanescente provavelmente ficará sob maior controlo do Kremlin, sobretudo através do GRU [inteligência militar] e do FSB [serviços de informação]. Continuarão em África, é certo, por razões estratégicas. Mas, a curto/médio prazo, poderão reduzir presença na Bielorrússia - Minsk não vai suportar os custos, nem os paramilitares terão interesse em provocações à NATO.

África era precisamente uma das grandes apostas deste grupo de mercenários e de Prigozhin. Conseguirá o Kremlin assumir o controlo da situação nos diversos países?
Este grupo tem sido um dos principais impulsionadores da recente política externa russa e da sua estratégia de guerra híbrida. Está bem presente em África através de ações irregulares que as estruturas oficiais russas não podem fazer. E Prigozhin era um eixo de tudo isto. Agora, o Kremlin corre o risco de alguns destes Estados reavaliarem a sua relação com a Rússia.

O presidente russo, Vladimir Putin, ganha ou perde com a morte de Prigozhin?
Pode haver duas leituras. Uma, reconhece a perda: Prigozhin e o Grupo Wagner são a longa manus de Putin em várias geografias e evitam um certo isolamento diplomático de Moscovo. Outra, vê este episódio como o resultado de uma ação intencional para dissuadir adversários e dissipar as noções da fraqueza Putin antes das presidenciais de 2024.

susana.f.salvador@dn.pt

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