Exército de Israel afirma deter "controlo total" do sul do país mas admite "longo caminho" pela frente

O exército de Israel afirma, no entanto, ainda continuar a combater palestinianos infiltrados em território israelita em "sete ou oito" pontos ao redor da Faixa de Gaza.
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O Exército israelita declarou que tem o "controlo total" das localidades do sul de Israel que foram atacadas desde o início da ofensiva do Hamas a partir de Gaza, disse um porta-voz militar no terceiro dia de combates. No entanto, admitiu que há "um longo caminho" pela frente.

"Temos o controlo total das localidades", declarou o porta-voz do Exército de Israel, general Daniel Hagari, numa conferência de imprensa transmitida pela televisão, acrescentando, no entanto, que "ainda pode haver terroristas na zona".

No entanto, o exército de Israel disse esta segunda-feira que continua a combater palestinianos infiltrados em território israelita em "sete ou oito" pontos ao redor da Faixa de Gaza.

"Ainda estamos a lutar. Há sete ou oito locais em terreno aberto à volta [da Faixa de Gaza] onde ainda temos guerreiros a lutar contra terroristas", disse o tenente-coronel Richard Hecht aos jornalistas.

O exército israelita admitiu que há "um longo caminho" pela frente no combate ao Hamas. A major do exército israelita, Libby Weiss, reconheceu que a luta "vai levar algum tempo", sublinhando, em declarações à agência de notícias espanhola Europa Press, que se trata de uma situação "sem precedentes".

Descrevendo a situação como "uma tragédia nacional", a responsável do exército lembrou que as autoridades já confirmaram a existência de mais de 700 mortos e de 2.000 feridos.

"Nunca vimos este nível de matança de civis inocentes", disse Weiss, que confirmou que ainda há combates com membros do Hamas em algumas cidades no sul do país e sublinhou que a fronteira com o enclave palestiniano "não é segura", dada a situação "muito dinâmica" da zona.

Além dos combates, as autoridades israelitas estão a retirar pessoas das zonas em risco "para o interior" de Israel.

Por outro lado, "há dezenas de pessoas que foram transferidas de Israel para Gaza como reféns", observou, antes de confirmar que isto cria "uma situação muito complexa" quando se realizam operações contra o Hamas.

Por isso, adiantou, o exército israelita realizou "bombardeamentos de precisão" contra "ativos militares do Hamas, incluindo "armazéns de armas" e pontos de onde foram lançados "milhares de projéteis contra Israel".

Weiss também destacou que, neste momento, "não há invasão terrestre" pelas forças israelitas, embora tenha enfatizado que "todas as opções estão sobre a mesa" e tenha alertado contra "qualquer outra organização terrorista ou país que apoie organizações terroristas".

Afirmou ainda que "centenas de terroristas do Hamas" conseguiram invadir o território israelita durante a ofensiva de grande escala lançada no sábado, "principalmente por terra, mas também houve tentativas por mar e ar".

"Depois de invadir Israel, participaram em massacres", lamentou, referindo que "mataram civis israelitas nas ruas, entraram nos 'kibutz' (...), fizeram reféns, massacraram inocentes".

Este é e "o maior massacre de civis israelitas" desde a criação do país" em 1948, garantiu.

Vários ministros israelitas declararam-se esta segunda-feira a favor de um governo de emergência nacional devido à ofensiva militar do grupo Hamas.

O ministro das Finanças de Israel, Bezalel Smotrich, reconheceu que "a realidade dita que a unidade e a coesão são necessárias para derrotar os inimigos".

"Deixem as equipas e as negociações para trás. Peço ao primeiro-ministro [israelita] Benjamin Netanyahu e a [ex-ministro da Defesa e líder do Partido da Unidade, da oposição] Benjamin Gantz para que estejam à altura da ocasião, reúnam-se imediatamente e acordem em criar um governo de emergência nacional que una o povo, que eleve a motivação, que dê apoio ao Exército e alcancem a eliminação total do Hamas e as organizações terroristas em Gaza", declarou Smotrich.

Nesta linha, o ministro da Economia israelita, Nir Barakat, argumentou que "Israel está em guerra e é hora de um governo de unidade nacional".

"Nestes tempos complexos, devemos colocar de lado as nossas diferenças e unir-nos contra um inimigo que nos quer destruir (...). Os combatentes do exército de todos os setores da sociedade israelita vão à batalha pelo Estado de Israel e devemos apoiá-los com um governo de unidade que represente toda a população. Devemos formar um governo de unidade hoje e vencer a guerra juntos", referiu Nir Barakat.

Por sua vez, o ministro da Segurança Nacional, o ultradireitista Itamar Ben Gvir, indicou que o seu partido, Otzma Yehudit, apoiaria esta opção "desde que a base para a adesão seja um acordo que defina como objetivo do governo a vitória do Exército e a eliminação das forças e do governo do Hamas.

Ben Gvir anunciou esta segunda-feira uma ordem de "emergência" para que a Divisão de Licenciamento de Armas de Fogo permita aos civis se armarem, desde que cumpram os requisitos para o porte de armas de fogo e não tenham antecedentes criminais ou restrições médicas.

O mais recente balanço do Ministério da Saúde palestiniano registava, no domingo, 413 mortos devido aos ataques aéreos israelitas em Gaza, o que elevava para mais de 1.100 o total de mortes nos dois lados dos confrontos armados iniciados no sábado.

Segundo o ministério, citado pela agência espanhola EFE, entre os 413 mortos estavam 78 menores e 41 mulheres.

Nas últimas horas foram atacadas duas torres na cidade de Gaza, admitindo-se que o balanço possa aumentar.

A estas vítimas somavam-se os mais de 700 mortos do mais recente balanço do Ministério da Saúde de Israel, também divulgado no domingo.

O elevado número de mortos confirmado em pouco mais de 24 horas não tem precedentes na história de Israel, apenas comparável à sangrenta primeira guerra israelo-árabe de 1948, após a fundação do Estado de Israel.

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