Pelo menos sete civis abatidos à saída de hotel em Palma

Há corpos de crianças e adultos espalhados nas ruas da cidade moçambicana, segundo testemunhas

Pelo menos sete civis foram abatidos esta sexta-feira quando estava a ser retirados de um hotel numa coluna militar em Palma, na província de Cabo Delgado, vítimas de mais um ataque que os rebeldes têm levado a cabo, adianta a RTP.

Mais de 180 pessoas, incluindo trabalhadores expatriados, tinham ficado presos dentro de um hotel de Palma, cidade a norte de Moçambique que está sob ataque de insurgentes há três dias, disseram esta sexta-feira à Agência France Presse (AFP) trabalhadores e fontes de forças de segurança .

Os militares moçambicanos estavam a tentar evacuar por helicóptero os trabalhadores das plantas de exploração de gás sediadas junto à cidade de Palma, na província de Cabo Delgado, de acordo com os trabalhadores retidos no hotel.

Militantes jihadistas começaram a invadir a cidade costeira na tarde de quarta-feira, forçando moradores aterrorizados a fugir para a floresta circundante e trabalhadores dos projetos de exploração de gás, alguns estrangeiros, a refugiarem-se no hotel Amarula.

O governo confirmou o ataque e disse que os soldados lançaram uma ofensiva para repelir os combatentes extremistas da cidade.

"Quase toda a cidade foi destruída. Muitas pessoas morreram", disse um trabalhador, por telefone, depois de ser resgatado para a península de Afungi, sem dar detalhes sobre as vítimas nem as suas nacionalidades.

Outro trabalhador de uma empresa subcontratada pela gigante francesa de energia Total adiantou que helicópteros sobrevoaram o hotel nesta sexta-feira, tentando encontrar "um corredor para resgatar as aproximadamente 180 pessoas presas".

"Mas até ao anoitecer muitas pessoas permaneciam no local enquanto os militantes tentavam avançar em direção ao hotel", disse.

Num curto vídeo não verificado, compartilhado nas redes sociais, um homem não identificado filmou o átrio do hotel, mostrando várias pessoas a circular no local. Com o zumbido de um helicóptero ao fundo, o homem descrevia a situação em Palma como "crítica". "Não sabemos se seremos resgatados", disse, acrescentando que o hotel ficou sem comida, mas ainda tinha água.

Corpos visíveis nas ruas

Corpos de adultos e crianças assassinadas são visíveis nas ruas de Palma, descreveu à Lusa um residente que, juntamente com outros, fugiu para Quitunda, quatro quilómetros a sudeste da vila, junto aos projetos de gás.

O residente, que preferiu falar sob anonimato, contou que a fuga foi feita aos poucos desde que os rebeldes armados invadiram a vila na quarta-feira e começaram a disparar.

Segundo relatou, ele e outras pessoas foram avançando às escondidas, de rua em rua, evitando as zonas onde se ouvia tiroteio, para assim saírem do perímetro de Palma, chegando a Quitunda na quinta-feira à tarde. Nas ruas viram corpos abandonados de adultos e crianças assassinadas, disse, sem mais detalhes.

O distrito de Palma tem cerca de 52.000 habitantes, a maioria residente na vila, e a estrutura etária da população moçambicana é jovem, quase metade com menos de 18 anos.

Os residentes em fuga relataram também haver duas agências bancárias destruídas, entre outros edifícios, infraestruturas e veículos. Cinco pesados de transporte de inertes de uma pedreira estavam igualmente destruídos e os motoristas mortos.

O residente disse estar separado da família, porque estava fora de casa quando a ocupação de Palma aconteceu e já não conseguiu regressar.

Outro morador que saiu da vila antes dos ataques disse à Lusa que não sabe do paradeiro da mulher desde o dia da invasão.

Um número incalculado de pessoas está desde quarta-feira a fugir para a península de Afungi, após o ataque a Palma que entrou esta sexta-feira no terceiro dia de confrontos.

Militantes filiados ao chamado grupo do Estado Islâmico têm vindo a invadir vilas e cidades em toda a província de Cabo Delgado, fazendo com que quase 700 mil pessoas tenham já fugido das respetivas casas.

A violência matou pelo menos 2.600 pessoas, metade delas civis, de acordo com a agência americana de recolha de dados Armed Conflict Location and Event Data (ACLED).

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