Comissão da ONU denuncia "desrespeito pela dignidade humana" por parte da Rússia

A ONU afirmou que as provas recolhidas "mostram que as autoridades russas cometeram crimes de guerra, como assassinatos intencionais, tortura, violação e outras formas de violência sexual, e a deportação de crianças".
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A comissão de inquérito da ONU sobre a Ucrânia informou esta quarta-feira ter recolhido mais provas de "crimes de guerra" cometidos pela Rússia no território ucraniano e denunciou um "profundo desrespeito pela dignidade humana" por parte de Moscovo.

"As provas recolhidas mostram que as autoridades russas cometeram crimes de guerra, como assassinatos intencionais, tortura, violação e outras formas de violência sexual, e a deportação de crianças para a Federação Russa", refere um relatório dos investigadores da ONU, citado pelas agências internacionais.

O documento assinala que as investigações da ONU confirmam que "as autoridades russas usaram a tortura ampla e sistemática em vários centros de detenção".

"As entrevistas com as vítimas e as testemunhas revelaram um profundo desrespeito pela dignidade humana por parte das autoridades russas", prossegue o documento.

A comissão avança ter encontrado novas provas de que as autoridades russas cometeram violações dos direitos humanos e do direito internacional nas regiões sob o seu controlo na Ucrânia, indica ainda o relatório.

Os peritos da ONU relatam que houve ataques indiscriminados de mísseis russos contra edifícios residenciais, estações ferroviárias e lojas, que causaram numerosas mortes. Os especialistas referem igualmente que no decorrer das suas investigações no terreno não conseguiram identificar qualquer presença militar na maioria dos locais afetados.

A comissão também documentou violações de raparigas e mulheres por soldados russos, tanto em grupo como sozinhos, que invadiram casas nas localidades ucranianas que ocuparam.

As violações registadas ocorreram entre março de 2022 e julho de 2022 em aldeias da região de Kherson, incluindo a de uma menor de 16 anos que estava grávida.

As restantes mulheres violadas tinham entre 19 e 83 anos e algumas delas sofreram agressões sexuais contínuas.

Entre os casos que se destacam está o de uma mulher violada e do seu marido, ambos assassinados depois de terem denunciado o crime.

O relatório documenta ainda casos de deportação de menores ucranianos para território russo, um crime pelo qual o Tribunal Penal Internacional (TPI) já emitiu um mandado de captura internacional para o Presidente da Rússia, Vladimir Putin.

O relatório da comissão da ONU denuncia ainda três casos em que a Ucrânia violou os direitos humanos de indivíduos acusados de colaboração com a Rússia.

Tratam-se de duas detenções arbitrárias em 2022 de dois homens em Kiev e de uma outra este ano em Odessa, na qual, segundo a comissão, houve recurso a tortura.

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