China e EUA comprometem-se a estabilizar relações diplomáticas

Após um conflito que envolveu o abate de um alegado balão de espionagem chinês que sobrevoou o território norte-americano, a visita do chefe da diplomacia norte-americana, Antony Blinken, a Pequim permitiu avanços nas relações sino-americanas.
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Os EUA e a China prometeram estabilizar as suas relações diplomáticas, afirmou esta segunda-feira, o chefe da diplomacia norte-americana, Antony Blinken, após uma reunião em Pequim com o Presidente chinês, Xi Jinping.

"Em todas as reuniões, insisti que o contacto direto e a comunicação sustentada ao mais alto nível eram a melhor maneira de gerir as diferenças com responsabilidade e de garantir que a concorrência não se transforme em conflito", explicou Blinken, em declarações aos jornalistas no final do encontro com o líder chinês.

"Ouvi o mesmo da parte dos meus homólogos chineses. Concordamos com a necessidade de estabilizar relações", acrescentou o secretário de Estado norte-americano no segundo e último dia de uma visita oficial a Pequim.

O Presidente chinês reiterou que a passagem de Blinken por Pequim permitiu avanços nas relações entre os dois países, que praticamente fecharam os canais diplomáticos nos últimos meses, após Washington ter mandado abater um alegado balão de espionagem chinês que sobrevoou o território norte-americano, no fevereiro passado.

"Os dois lados fizeram progressos e chegaram a um acordo sobre algumas questões específicas. E isso é muito bom", reconheceu Xi, de acordo com uma transcrição dos comentários divulgados pelo Departamento de Estado norte-americano.

"Espero que através desta visita, dê um contributo mais positivo para estabilizar as relações entre a China e os Estados Unidos", acrescentou Xi.

Durante a reunião que durou 35 minutos, Blinken respondeu a Xi que "os Estados Unidos e a China têm a obrigação e a responsabilidade de gerir bem o seu relacionamento", sublinhando que isso é do interesse de ambas as partes.

No sábado, Blinken, tinha deixado a mesma exata mensagem ao seu homólogo chinês, Qin Gang, após uma reunião que durou cerca de cinco horas e meia, e onde os dois países se mostraram comprometidos em manter abertos os canais de comunicação.

Já esta segunda-feira, o chefe da diplomacia norte-americana encontrou-se com o principal diplomata do Partido Comunista Chinês, Wang Yi, numa reunião de três horas.

Após este encontro, o Ministério dos Negócios Estrangeiros da China emitiu um comunicado em que dizia que a visita de Blinken a Pequim ilustra bem a resposta à "necessidade de fazer uma escolha entre o diálogo e o confronto".

A visita de Antony Blinken a Pequim surge na sequência de uma conversa no mês de novembro passado, entre o Presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, e o seu homólogo chinês, Xi Jinping, à margem de uma cimeira do G20 na Indonésia.

Nos últimos dias, o Presidente Xi deixou sinais de estar disponível para reduzir as tensões com os Estados Unidos -- durante uma conversa com o cofundador da empresa tecnológica norte-americana Microsoft, Bill Gates, na sexta-feira, dia 16 -- assegurando que os EUA e a China podem e devem cooperar "para benefício de ambos os países".

"Acredito que a base das relações sino-americanas está nas pessoas. (...) Na atual situação mundial, podemos realizar várias iniciativas que beneficiam os nossos dois países, e toda a raça humana", disse Xi a Gates.

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