O presidente russo, Vladimir Putin, disse ontem que a contraofensiva ucraniana "falhou completamente" e que as forças de Moscovo têm feito avanços no terreno "em toda a linha de contacto". Putin falou de uma estratégia de "defesa ativa", com os russos a "melhorar posições", falando nomeadamente de Kupiansk, Zaporíjia e Avdiivka. Kiev diz contudo que os ataques na região têm sido "repelidos". Hoje, passam 600 dias desde a invasão da Ucrânia..Numa semana em que o mundo virou o foco para o conflito entre Israel e o Hamas, e a tragédia humana na Faixa de Gaza, os ucranianos disseram que a Rússia aumentou os ataques junto à cidade de Avdiivka, atingida em várias ocasiões por bombardeamentos. "O inimigo continua a tentar romper as nossas defesas, mas sem sucesso", disse o Exército ucraniano..Contudo, os russos já controlam, alegadamente, as zonas a leste, norte e sul da cidade, que fica a apenas 15 km de Donetsk (capital da região com o mesmo nome que está sob controlo russo). Avdiivka, onde antes da guerra viviam 31 mil pessoas e onde apenas restam 1600 civis, tem sido um símbolo de resistência, depois de ter caído por pouco tempo nas mãos dos separatistas pró-russos em 2014.."Quero agradecer às Forças Armadas [russas], à liderança militar, antes de tudo, aos nossos combatentes na frente, pela sua coragem", disse Putin numa pequena entrevista ao canal de televisão Rossiya 1. O presidente russo reiterou que a contraofensiva ucraniana não está "paralisada", mas "falhou completamente", explicando que Kiev prepara novas "operações ofensivas", mas que Moscovo está à espera e preparada para reagir.."A coragem ucraniana tem que trazer a paz. E vai trazer. A resiliência do nosso povo deve garantir a integridade do Estado. E vai garantir. A nossa união deve permitir-nos expulsar o ocupante da nossa terra. E vai permitir. Coragem. Resiliência. União. Isto é o que não podemos perder, de forma a não perder a Ucrânia", escreveu nas redes sociais o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky..Putin viaja esta semana para Pequim, estando previsto um encontro com o homólogo chinês, Xi Jinping, para reforçar a parceria entre os dois países. A capital da China será palco, amanhã e quarta-feira, do Fórum Uma Faixa, Uma Rota, sendo esperados representantes de 130 países para assinalar uma década desta iniciativa. Mas todas as atenções devem centrar-se no presidente russo..Esta é apenas a segunda viagem de Putin (a primeira para fora do espaço da antiga União Soviética) desde que, em março, o Tribunal Penal Internacional emitiu um mandado de captura em seu nome, acusando-o do rapto e deportação de crianças ucranianas para a Rússia. O líder russo só esteve ainda no Quirguistão, na semana passada..Com agências