Acordo para desmilitarizar Zaporíjia no dia em que Kiev obtém mil milhões de euros

Presidente francês diz que a fórmula para a central nuclear ainda está por encontrar. Kremlin só aceita conversações de paz se Ucrânia admitir anexações.
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Emmanuel Macron retomou o protagonismo relativo à guerra na Ucrânia ao organizar em Paris uma conferência para a reconstrução do país. A iniciativa recebeu dos participantes compromissos financeiros de mil milhões de euros. Além disso, o presidente francês revelou ter sido alcançado um acordo para desmilitarizar a central nuclear de Zaporíjia.

No início da conferência que juntou dignitários de 50 países, além de governantes ucranianos e da primeira-dama Olena Zelenska, Macron disse que a fórmula como o acordo para desmilitarizar a central controlada por tropas russas está por encontrar. "As próximas semanas serão cruciais", disse. O líder francês manifestou preocupação com a situação na maior central nuclear da Europa, alvo de ataques constantes de que Kiev e Moscovo se acusam mutuamente. "Conseguimos proteger Chernobyl e o nosso objetivo é fazer o mesmo em Zaporíjia", disse.

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O presidente ucraniano, em videoconferência, disse que o seu país necessita de pelo menos 800 milhões de euros para repor as infraestruturas energéticas, enquanto informou os presentes que está em curso a construção de um sistema elétrico descentralizado. Volodymyr Zelensky avaliou o défice de energia no país em 2,5 gigawatts por dia, pelo que 50 milhões de lâmpadas LED no lugar das incandescentes reduziriam o problema em 40%. Em resposta, a presidente da Comissão Europeia Ursula von der Leyen anunciou que a UE iria financiar a compra de 30 milhões de lâmpadas LED por 30 milhões de euros.

A resposta do Kremlin à proposta de Volodymyr Zelensky de se realizar uma "cimeira de paz mundial" foi na prática uma negativa: a Ucrânia terá de ceder os territórios que a Rússia afirma ter anexado antes que quaisquer negociações diplomáticas possam ter lugar. "O lado ucraniano deve ter em conta as realidades que se desenvolveram no terreno", disse o porta-voz da presidência russa, Dmitri Peskov.

"Estas realidades são que a Federação Russa tem novas questões em resultado dos referendos que tiveram lugar nestes territórios", acrescentou em referência aos falsos plebiscitos realizados em Kherson, Zaporíjia, Donetsk e Lugansk, tendo considerando "impossível qualquer progresso" ao nível diplomático enquanto Kiev "não tiver em conta estas realidades". A posição ucraniana, bem como de toda a comunidade internacional, à exceção da Coreia do Norte, é a rejeição do reconhecimento da pretensão de Moscovo. Para Kiev, as tropas russas têm de abandonar o território ocupado, o que inclui a Crimeia, para depois se discutir os termos da paz.

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