UE quer mobilidade verde acessível a todos

A TRA, a maior conferência europeia de investigação e tecnologia em mobilidade e transportes, irá discutir soluções em Lisboa para que a nova mobilidade ecológica - bicicletas, motas ou trotinetas elétricas - não continue a excluir os pobres das comunidades rurais e as minorias étnicas

"Mobilidade para todos: justa, inclusiva, barata e acessível em todos os lugares". Este é um dos temas escolhidos para a primeira sessão estratégica da TRA - Transport Research Arena, a maior conferência europeia de investigação e tecnologia em mobilidade e transportes, que se realizará de 14 a 17 de novembro, no Centro de Congressos de Lisboa.

A discutir o problema social de as novas formas de mobilidade - das bicicletas às motas ou trotinetas elétricas, às boleias partilhadas ou carros das plataformas Uber, Bolt ou outras - não chegarem a todos, estarão responsáveis da Comissão Europeia e das políticas de transportes de vários países, incluindo Portugal. Os oradores serão Herald Ruijters, da Direção Geral de Mobilidade e Transporte da Comissão Europeia; Jessica Berg, diretora de pesquisas do Instituto Nacional de Estradas e Transportes na Suécia (VTI); Rita Jacinto, gestora de programas da Divisão de Mobilidade Terrestre da cidade de Lisboa; Lidia Signor, gestora de mobilidade combinada na Associação Internacional de Transporte Público (UITP); Stephen Perkins, diretor do OECD - Comité Internacional de Pesquisa em Transportes e Floridea di Ciommo do Centro de Pesquisa Cooperativa Cambiamo.

O acordo "verde" que compromete os Estados membros da União Europeia (UE) com metas de descarbonização apertadas nos próximos anos coloca pressão sobre os 27 países da UE para adotarem novas formas de mobilidade e deixarem os transportes movidos a combustíveis fósseis. Mas a precariedade de alguns grupos sociais, das mulheres nas comunidades rurais às minorias étnicas, deixa de fora desta onda ecológica de mobilidade individual uma grande parte da população, a qual continua dependente dos transportes públicos convencionais, como refere o site da TRA.

Um dos tópicos que será debatido na sessão é como evitar que a promoção ds novas formas da mobilidade ativa (caminhar, andar de bicicleta), sustentável (os veículos elétricos, por exemplo), e partilhada (plataformas de carros, de boleias, etc) venha a excluir certos grupos sociais.

Também haverá oportunidade para discutir opções de mobilidade que poderiam facilitar o acesso dos jovens nas comunidades rurais a educação, lazer e desporto, e que soluções para melhorar as ligações entre o campo e a cidade por forma a facilitar as necessidades de mobilidade de todos, especialmente das mulheres que tantas vezes têm a cargo a família e o trabalho a longas distâncias de casa.

Será também debatido o facto de a crescente digitalização poder ser um fator de exclusão.

O que pode esperar da Transport Research Arena, que junta a indústria, com os académicos e políticos, são precisamente novas soluções para a mobilidade do futuro.

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