O mercado imobiliário português é muito competitivo e está saturado, nos centros urbanos. Por isso, as promotoras imobiliárias constroem nas periferias e as vendas em planta encontram um grande número investidores, que querem arrendar ou vender, posteriormente.Quem o diz é Francisca Martins, administradora da AM48, à conversa com o DN e DV. A promotora imobiliária atua em Portugal com equipa portuguesa e "capital 100% português". De acordo com a própria, o mercado, da banca aos empreiteiros, está preparado precisamente para que os apartamentos sejam vendidos ainda antes de saírem do papel.No caso das promotoras que dispõem de uma empresa de construção, "é praticamente impossível, a nível de sustentabilidade financeira, só começar a vender apartamentos em obra ou quando o apartamento está construído", assinala. Significa isto que, hoje, a maioria das vendas já acontece "em planta", independentemente da tipologia e da zona do país."A forma como o mercado está montado, é exatamente nesse sentido. É mais atrativo para todos. Mesmo para os compradores, porque os valores são mais baixos", salienta a responsável. "De outra maneira seria completamente incomportável", no que respeita à gestão dos capitais próprios.Neste contexto, a habitação torna-se mais acessível a investidores, que têm maior apetite pelo risco, um fator que está associado a qualquer projeto. Assim sendo, a promotora encontra "muitos investidores com dinheiro disponível para avançar" e, à data "temos mais investidores a comprar em planta do que cliente final".O outro lado da moeda são "pessoas que precisam de habitação". Ora, sendo a classe média o público alvo da AM48, as famílias têm, em muitos casos, de vender ou arrendar a casa onde vivem para poderem pagar a casa que vão comprar ou arrendar. Neste contexto, grande parte acaba por só poder avançar quando o apartamento já está quase finalizado.Foi assim, nos projetos que a promotora tem em Santo António dos Cavaleiros (Loures) e em Oeiras, ambos em fase inicial de construção. Em ambos os casos, mais de metade dos apartamentos já estavam vendidos antes de ser colocada a primeira pedra. Este "valor assegurado de vendas" permite à banca uma maior segurança para avançar com o financiamento, sublinha.A empresa conta ainda com outro projeto em construção, em Aveiro. Ao todo, tem 170 mil metros quadrados de construção em pipeline e procura integrar "setor residencial, comércio e turismo" em todos os projetos. Significa isto que "o único setor no qual nós não nos envolvemos tanto, porque não é, do nosso ponto de vista, tão rentável, são os escritórios", diz Francisca Martins.A AM48 constrói, hoje, longe dos maiores centros urbanos, mas nem sempre foi assim. O primeiro projeto foi estabelecido na Avenida da Liberdade, com 19 apartamentos. O foco estava nas classes mais altas, aproveitando os vistos gold. "O produto de luxo saía com muita facilidade", recorda.Agora os tempos são outros e a AM48 tem na mira a qualidade de vida e a experiência de quem compra e de quem frequenta as áreas mais próximas. Procura acompanhar a "evolução do mercado", o que significa sair do centro de Lisboa para lançar "projetos de muito maior dimensão" em "zonas mais periféricas das cidades ou com grande valorização, mesmo que dentro da cidade", diz Francisca Martins.No caso de Loures, por exemplo, a própria aponta "grande potencial de valorização", em função da construção da linha Violeta do Metro de Lisboa.Em simultâneo, uma parte do trabalho da AM48 passa por recuperar as áreas envolventes aos próprios projetos. Foi o caso em Oeiras, a título de exemplo, onde executaram um projeto de reabilitação urbana, com recurso a "investimento voluntário, sublinha. "Investimos muito dinheiro na vertente social e ambiental", na procura de "uma vivência diferenciada", em prol da qualidade de vida.Mas até que ponto é interessante investir em Portugal? "Muito", de acordo com a administradora da AM48. Ainda assim, há "uma vertente de risco muito mais alto do que noutros países [europeus]", em função das burocracias mais significativas e da falta de estabilidade política, com políticas que mudam consoante os partidos que suportam o Governo..AM48 arranca com projeto de 150 milhões em Aveiro