Investimento em tecnologias limpas na Península Ibérica totalizou quase 770 milhões em 2025
Cristiana Milhão / Global Imagens

Investimento em tecnologias limpas na Península Ibérica totalizou quase 770 milhões em 2025

Em causa está um aumento de 80%. A maior fatia do valor dedica-se ao setor dos materiais e produtos químicos , numa fase de "maturação do ecossistema", revela um estudo da Cleantech for Iberia.
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O investimento em tecnologias limpas na Península Ibérica atingiu 768,8 milhões de euros em 2025, um aumento de 80% face ao ano anterior, marcando um novo recorde, segundo um relatório anual.

O estudo da Cleantech for Iberia, coligação de investidores de Espanha e Portugal, especificou que, no último ano, o investimento se concentrou num número mais reduzido de rondas, mas maiores, impulsionado por negócios em fases de crescimento e avançadas, o que "reflete a maturação do ecossistema", desde a inovação inicial à escalabilidade.

A maior parte do investimento, quase 39% do capital total aplicado, foi focado no setor dos materiais e produtos químicos, noticiou a agência Efe.

A indústria dos resíduos e da reciclagem, juntamente com a gestão ambiental, registou um "forte crescimento", enquanto o setor energético perdeu terreno em termos relativos, apesar da atividade contínua em hidrogénio, armazenamento de baterias e eletrificação dos edifícios.

Os setores dos transportes e da logística consolidaram a sua posição como "um dos principais pilares industriais do mercado ibérico", sendo que o setor agroalimentar é o mais reduzido em termos absolutos.

O relatório destaca, entre os principais negócios do ano, a captação de 193,8 milhões de euros pela Multiverse para a sua tecnologia de compressão de modelos de inteligência artificial em larga escala e os 122,3 milhões de euros angariados pela Gestcompost, líder no tratamento e valorização de resíduos orgânicos e biodegradáveis.

De acordo com esta análise, os dois principais desafios para 2026 são, por um lado, desbloquear o financiamento em fases avançadas e implementar projetos pioneiros em Espanha e Portugal e, por outro lado, tornar a descarbonização industrial de ambos os países um ativo atrativo para os investidores.

Além disso, o mercado espanhol exigirá especificamente melhorias na execução, rapidez e credibilidade das tecnologias limpas, com a implementação eficaz de políticas que incluam quadros regulamentares com prazos mais curtos, processos previsíveis e condições atrativas.

Quanto a Portugal, será necessário trabalhar na sua abordagem estratégica para aumentar a confiança dos investidores, com um roteiro industrial verde claro, tecnologias prioritárias bem definidas, zonas industriais designadas e visibilidade a longo prazo para os investidores, pode ler-se no relatório.

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