Premium José Eduardo Agualusa: "Banqueiros, políticos e empresários. Toda esta gente foi cúmplice de Isabel dos Santos"

O escritor angolano José Eduardo Agualusa voltou a Angola esta semana e aterrou no meio do furacão que se vive em Luanda com o processo Luanda Leaks. Encontrou um país muito diferente, onde está a acontecer uma autêntica revolução de mentalidades. Dava um romance, diz.

Está em Luanda outra vez (normalmente vive na Ilha de Moçambique), numa altura complexa. Como é que a cidade está a viver tudo o que se está a passar?
A perceção daquilo que se está a passar varia muito consoante o lugar onde estamos, na cidade ou no leste do país. Entre as pessoas que eu frequento, há um certo sentimento de euforia, de ver a justiça a cumprir-se, de alguma forma. Mas, também, imagino que haja muita apreensão em alguns espaços aqui de Luanda. Ou seja, há muita gente que deve estar a seguir esta situação com receio. Porque se isto pode passar-se com uma pessoa como Isabel dos Santos, que era uma pessoa com um poder enorme e com uma grande fortuna, imagina-se o que poderá acontecer com outras pessoas que se envolveram com corrupção? E que não são tão poderosas quanto ela.

E o que é que está a passar-se exatamente?
É um ato de justiça, sem dúvida alguma. E da forma como o processo foi desencadeado não se pode falar de vingança. Este processo é desencadeado por um conjunto de jornalistas. Não há aqui nada que se pareça com vingança. É um trabalho de investigação de um tipo de jornalismo que é urgente, neste momento, não apenas aqui em Angola, mas no mundo. Porque é um jornalismo que se mostra capaz de mudar as coisas para melhor. Aquilo que está em curso é uma espécie de revolução de mentalidades. Porque depois daquilo que aconteceu, que está a acontecer a Isabel dos Santos, eu acho que qualquer pessoa, aqui em Angola, vai pensar melhor quando pretender fazer negócios menos claros. Porque, como disse antes, se uma pessoa como Isabel dos Santos cai, e pode cair, então todo o mundo pode. Isso realmente é... uma revolução. Em termos de mentalidade muda muito. Mostra que é possível combater a corrupção. Isso era algo que parecia inconcebível há, vá lá, há dois anos.

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