Premium Quando danças com o diabo

Não mudas o diabo; é ele que te muda a ti. Ao permitir comentários sem controlo nos seus sites, os media são portadores do vírus que dizem querer combater. Não há melhor caldo de cultura para as fake news.

A primeira vez que pedi à direção do DN para fechar os comentários na minha crónica foi em 2010. Tinha escrito sobre uma iraniana condenada à morte por lapidação, por alegado adultério, e ao abrir o texto on line deparei-me com um comentário insuportavelmente ordinário. Há muito que me incomodava partilhar espaço com gente que o usava para tudo menos para comentar realmente o que eu escrevia; foi a gota de água.

Lembrei-me dessa minha fúria a semana passada, quando numa notícia sobre uma mulher que morreu após almoçar num restaurante de estrela Michelin encontrei isto: "Quem tem 85 euros [o preço do menu de degustação do estabelecimento] para pagar por uma refeição merece morrer de indigestão porque não o ganhou honestamente." Uma vez que os comentários no DN são feitos através do Facebook, tive a curiosidade de "entrar" no perfil da autora. Fiquei com a ideia de que nem sequer se trata do chamado "perfil falso" - será mesmo alguém com aquele nome que entendeu dizer, publicamente, tal barbaridade.

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