Premium Mentirosos, pândegos e irresponsáveis

O brexit continua num impasse, são várias as zonas cinzentas, os cenários e as indefinições de curto prazo. Há atos de fé e ceticismo à volta da mesa, no meio de complexas variáveis internas na Irlanda, no governo britânico e no partido conservador. É o brexit um processo ou apenas um momento no calendário? E quem pagará a fatura no final do dia?

Enquanto alguns dos decisores políticos europeus dão nota da sua esperança com um toque de otimismo à saída do Conselho Europeu sobre o brexit, o analista deve manter a sua veia cética sobre a benevolência do que resta deste singular processo de divórcio. Primeiro, os 95% de áreas que já estarão fechadas nas negociações entre Londres e os 27 continuam condicionados pelos 5% que nenhum dos Estados-membros, a não ser a Irlanda, controla. Ou seja, a sensação de alívio que extravasa pelo simples facto de estar quase tudo acordado não tem, em boa verdade, uma grande dose de realismo associada. Em último caso, não existindo nenhuma solução criativa para a questão irlandesa, não haverá acordo em dezembro a tempo de a senhora May ter, por força da lei britânica, de o enviar para a Câmara dos Comuns para ser votado em janeiro.

Nesta fase, para além da questão irlandesa que define a existência ou não de um acordo sobre a saída, é importante olharmos para os calendários e para a dinâmica que deles resulta. Desde logo porque, para se cumprir os dois anos abertos pela formalização do Artigo 50 e que terminam a 29 de março de 2019, resta um mês e meio às equipas negociais para chegarem a três objetivos: um texto satisfatório final; a previsível revisão dos termos do período de transição que termina a 31 de dezembro de 2020; e a aprovação das linhas gerais da relação entre o Reino Unido e a União Europeia a partir dessa data. Um mês e meio até ao Conselho Europeu de 13 e 14 de dezembro, dado que a data limite para Theresa May enviar o acordo para Westminster é a 21 de janeiro de 2019. Ou seja, mais do que estar concentrada em pedir mais tempo, a primeira-ministra corre contra o tempo.

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