Premium A guerra pela alma da Europa

O incêndio em Notre-Dame pareceu a muitos um presságio, um aviso. Faz sentido: há quem, alegadamente para a defender, queira pôr a Europa a arder. Bannon, o ex ideólogo de Trump, já alugou um mosteiro em Itália para treinar os novos cruzados. Mas a maior vitória dos nacionalistas, o Brexit, pode resultar como melhor antídoto.

Uma catedral quase milenar, carregada de simbologia histórica e literária, a arder no centro de Paris é uma imagem poderosa, lancinante. Com leituras muito distintas consoante o lugar onde se está. Há a leitura identitária nacionalista, fundamentalista cristã/católica e tremendista, que vê ali o sinal da decadência de uma nação e de uma "cristandade" assaltada pelos bárbaros imigrantes, e a leitura identitária europeísta e universalista, que projeta nas chamas o martírio dos valores humanistas, sob assalto de outros bárbaros - os da extrema-direita fascista, nostálgica dos cânticos nazis de "sangue e terra", dos progroms e das limpezas étnicas.

Adensa o sentimento de presságio que o incêndio ocorra a poucas semanas de umas eleições europeias encaradas como decisivas para definir o rumo do continente e quando são notícia, quer a carta do ex papa Bento XVI a imputar todos os males à luta civilizacional contra o preconceito e a discriminação e aos "progressistas" do Concílio Vaticano II quer o anúncio de que Steve Bannon, o ex-ideólogo de Trump, quer criar um campo de treino para "cruzados" num mosteiro italiano.

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