Economia da partilha na Europa vai crescer para mais de 80 mil milhões de euros até 2025

A dimensão do mercado português de bens e serviços que são fornecidos através de plataformas digitais como a Uber, a Glovo ou a Airbnb era de 265 milhões de euros em 2016.

Dentro de sete anos a chamada "economia da partilha" pode multiplicar as receitas por 20, atingindo os 83 mil milhões de euros, em toda a Europa. Os dados são de um estudo do BPI Research com base nas estimativas da consultora PwC para a Comissão Europeia (CE). Trata-se de bens e serviços que são fornecidos através de plataformas digitais, como a Uber, a Glovo ou o Airbnb.

Para Portugal, os dados mais recentes, publicados pela CE em junho deste ano, são de 2016, e já nesse ano o mercado da "economia colaborativa" valia 265 milhões de euros e o número de pessoas empregadas rondava as 8400. A contribuição para o produto interno bruto era de 0,14% e representava 0,17% do total do emprego. Já então, o alojamento era o setor mais importante, com quase cinco mil trabalhadores e uma receita a rondar os 121 milhões de euros. Pelo número de pessoas empregadas, em segundo lugar surgia o do transporte (2161 trabalhadores) e uma receita a rondar os 40 milhões.

Desde então muita coisa aconteceu, com o aparecimento de novas empresas de partilha de bens e serviços e o reforço de outras que já se encontravam no país.

No estudo sobre o desenvolvimento económico da economia colaborativa na União Europeia, Bruxelas admite que Portugal "demonstra um potencial de crescimento promissor", reconhecendo que no caso dos "setores do alojamento e financeiro já se encontram relativamente bem desenvolvidos."

O estudo refere ainda os benefícios para as cidades. "A economia colaborativa conduziu à revitalização das cidades. Por exemplo, em Lisboa, o centro histórico, que se encontrava degradado, sofreu significativos trabalhos de reabilitação urbana." O documento lembra que "cerca de 30% dos edifícios adequados à habitação estavam vazios no centro histórico da cidade. Além da reabilitação dos edifícios, que conduziu a maior segurança, também beneficiou os residentes e trabalhadores".

Um outro estudo do Joint Research Centre, também da Comissão Europeia, indica que em Portugal o peso do emprego gerado direta e indiretamente por negócios de plataformas digitais deverá ser já um dos mais elevados num conjunto de 14 países europeus, quase 11% do total.

O peso da economia partilhada ainda é baixo mas, olhando para a evolução, o salto pode ser exponencial. De acordo com o estudo da PwC, entre 2013 e 2015 as transações triplicaram e as receitas quadruplicaram. E prevê-se que o ritmo de crescimento acelere nos próximos anos.

A importância da economia da partilha vai estar em debate hoje e amanhã na conferência Vortex da Porto Business School, na Alfândega do Porto, com a presença do Prémio Nobel da Economia de 2017, Richard Thaler.

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