Premium Um Verão mesmo à mão (3)

Na última tarde em Kalami, sentaram-se a contemplar o mar à varanda da Casa Branca, enquanto uma enorme massa de nuvens se avolumava na costa da Albânia.

Nancy gostava dos ventos, sabia-os todos de cor. O mistral, forte e frio, precipitando-se do sul de França sobre o golfo de Lyon e daí para o Mediterrâneo; a tramontana, soprada de norte, assim baptizada por vir além das montanhas; o siroco ou, melhor, os vários sirocos, todos escaldantes, que do Sara atingem com violência a Itália, a Grécia e até a Riviera Francesa, por vezes. De todos eles, o preferido era o kareklas, o único com um nome grego e, talvez por isso, o da sua maior devoção. A palavra também quer dizer "cadeira", porventura porque o kareklas, à sua passagem, arrasta consigo as mesas e as cadeiras das esplanadas (essa era, pelo menos, a interpretação dela).

Eram outros, e mais agrestes, os ventos que agora sopravam em seu redor; ventos de guerra, oriundos da Alemanha e da Itália, mas também ventos de incerteza e dúvida sobre o seu casamento com Lawrence Durrell. Ainda que de livre vontade, o aborto que fizera em 1936, já em Corfu, deixara marcas nos dois, muito mais profundas do que então ambos julgaram.

Ler mais

Outras Notícias

Outros conteúdos GMG