Premium Quartos arrendados por sexo. Sexo para pagar rendas. Como as rendas caras aumentaram a prostituição

Há quem se aproveite dos preços exorbitantes das rendas para conseguir trocar alojamento por serviços sexuais. E há também muita gente a cair na prostituição para conseguir pagar habitação, mais do que no período da troika.

Um homem na casa dos 40 anos, de elevado estatuto social, tem três apartamentos numa das zonas mais nobres de Lisboa. Cada um deles é ocupado por uma mulher: uma portuguesa, uma brasileira e uma outra nigeriana, todas jovens e "esculturais". Nenhuma delas paga um cêntimo de renda, apenas água e luz. O acordo com o "senhorio" é outro: têm de "receber" os amigos dele para encontros sexuais, serviços pelos quais cobram um mínimo de 100 euros, metade dos quais vão diretos para o bolso do dono das casas. A morar num apartamento de luxo ao lado, é ele que controla a agenda das mulheres, escolhidas em plataformas online e que chegam a receber seis homens à hora do almoço e à tarde, quando os prédios estão vazios. Depois dessa hora, as visitas são proibidas - os vizinhos podiam desconfiar. Não há anúncios na internet, nem em jornais, e com este esquema o homem encaixa pelo menos seis mil euros por mês.

"Elas aceitam porque dizem que pelo menos não têm de pagar renda, sempre poupam algum dinheiro." Quem o conta é Inês Fontinha, que durante mais de 40 anos dirigiu O Ninho, associação que acompanha e reabilita prostitutas na cidade Lisboa e que admite que até para ela este é um fenómeno novo. Fenómeno que tem uma razão óbvia: os preços exorbitantes da habitação na capital, que estão também a levar mais mulheres a recorrer à prostituição para conseguirem suportar as rendas, ao mesmo tempo que muitas outras não conseguem deixar as ruas.

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Poderá o mundo comportar Trump nos EUA, Bolsonaro no Brasil, Erdogan na Turquia e Boris no Reino Unido? Sendo esta a semana do facto consumado do Brexit e coincidindo com a conferência do clima da ONU, vale a pena perguntarmos isto mesmo. E nem só por razões socioideológicas e políticas. Ou sobretudo não por estas razões. Por razões simples de simples sobrevivência do nosso planeta a que chamamos terra - porque é isso que é fundamentalmente: a nossa terra. Todos estes líderes são mais ou menos populistas, todos basearam as suas campanhas e posteriores eleições numa visão do mundo completamente conservadora - e, até, retrógrada - do ponto de vista ambiental. E embora isso seja facilmente explicável pelas razões que os levaram à popularidade, é uma das facetas mais perigosas da sua chegada ao poder. Vem tudo no mesmo sentido: a proteção de quem se sente frágil, num mundo irreconhecível, em acelerada e complexa mudança, tempos de um paradigma digital que liberta tarefas braçais, em que as mulheres têm os mesmos direitos que os homens, em que os jovens podem saber mais do que os mais velhos... e em que nem na meteorologia podemos confiar.

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