Sem afetos, esta é a campanha mais desafiante para os autarcas

A campanha eleitoral para as autárquicas já é oficial. Ditam as regras que o primeiro dia foi ontem. Mas há muito que vemos nas ruas os candidatos a tentar convencer a população com os seus argumentos e propostas. Na capital, as sondagens dão vitória a Fernando Medina, ainda que tenha vindo a esbater-se a distância entre Medina, da coligação Mais Lisboa, que junta o PS e o Livre, e Carlos Moedas, cabeça de lista da coligação Novos Tempos, que junta cinco forças políticas: PSD, CDS, PPM, MPT e Aliança.

A habitação e a mobilidade, por exemplo, são dois dos temas em que é mais o que os separa do que aquilo que os une. São dois dos assuntos que inflamam quer estes dois candidatos, quer João Ferreira, pela CDU, e Beatriz Gomes Dias, do Bloco de Esquerda. Os quatro foram convidados para o debate do Diário de Notícias e da TSF, para ler nesta edição. Muitos dos frente a frente a que temos assistido, enquanto cidadãos, têm sido demasiado ruidosos e têm esclarecido pouco o leitor. Assim, e ao abrigo da lei, as duas marcas de comunicação social optaram por desafiar apenas as quatro candidaturas concorrentes com maior representação política no último ato eleitoral (o critério e o suporte legal são devidamente explicados no âmbito do artigo que resume o debate entre os candidatos, para ler nas páginas 4 a 6).

Na capital, este sufrágio é muito mais do que meramente local ou territorial. Dele sairá uma leitura política nacional determinante quer para o futuro do Partido Socialista quer do Partido Social-Democrata. Dos dois lados, os candidatos à autarquia de Lisboa são potenciais sucessores a líderes destas forças partidárias. Caso fiquem fragilizados nestas eleições... fragilizados ficam para futuras corridas dentro das suas famílias políticas.

No PCP, João Ferreira também é apontado como sucessor de Jerónimo de Sousa - ainda que, aparentemente, essa alteração não esteja iminente -, e qualquer revés no número de votos alcançado face às ultimas autárquicas, em 2017, será difícil de digerir no partido.

O Bloco de Esquerda desta vez concorre sozinho, sem coligação com o PS, mas já ouviu da própria boca de Fernando Medina que o PS está disponível para acordos e o mesmo em relação ao PCP. O grande desafio é, para ambos os partidos à esquerda, não ser "a bengala" de ninguém, mas fazer prova de vida e ter acesso ao poder e à oportunidade de ajudar a mudar a cidade.

Por todo o país, os candidatos correm em contrarrelógio, tentando recuperar o tempo que a pandemia e as medidas restritivas lhes retiraram. Esta é a campanha mais desafiante de sempre para todos os autarcas. O nível de contacto, de proximidade e de afetos ainda está muito longe dos velhos tempos, aqueles dos beijos e dos abraços nos mercados e nas feiras ou das arruadas repletas de populares. Habituem-se, como diria o outro. A pandemia ainda anda por cá.

rosalia.amorim@dn.pt

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