Premium O governo é de esquerda?


Portugal é espantoso. Somos o único país europeu que já experimentou quase todas as combinações políticas, sempre com o mesmo resultado. Tivemos governos PS, PSD, PS-PSD, PSD-CDS, PS-CDS e PS-PCP-BE e, para lá de detalhes sectoriais, a atitude foi sempre a mesma: democracia com economia de mercado regulado, membro da EU, NATO, etc.

Esta última experiência, já no quarto ano, tem interesse especial por antes ter sido sempre rejeitada: durante 40 anos os partidos de extrema-esquerda não faziam parte do "arco da governação". Afinal fazem e sem as catástrofes previstas. Este facto motivará muitas análises futuras, mas uma tem especial relevância: o governo é de esquerda? Ou estará "amarrado às opções da política de direita", como disse Jerónimo de Sousa no discurso final da Festa do Avante! (aliás, sem deixar de apoiar essa política)?

Ler mais

Exclusivos

Premium

Henrique Burnay

A ameaça dos campeões europeus

No dia 6 de fevereiro, Margrethe Vestager, numa só decisão, fez várias coisas importantes para o futuro da Europa, mas (quase) só os jornais económicos repararam. A comissária europeia para a Concorrência, ao impedir a compra da Alstom pela Siemens, mostrou que, onde a Comissão manda, manda mais do que os Estados membros, mesmo os grandes; e, por isso mesmo, fez a Alemanha e a França dizerem que querem rever as regras do jogo; relançou o debate sobre se a Europa precisa, ou não (e em que condições), de campeões para competir na economia global; e arrasou com as suas possibilidades (se é que existiam) de vir a suceder a Jean-Claude Juncker.

Premium

Anselmo Borges

Islamofobia e cristianofobia

1. Não há dúvida de que a visita do Papa Francisco aos Emirados Árabes Unidos de 3 a 5 deste mês constituiu uma visita para a história, como aqui procurei mostrar na semana passada. O próprio Francisco caracterizou a sua viagem como "uma nova página no diálogo entre cristianismo e islão". É preciso ler e estudar o "Documento sobre a fraternidade humana", então assinado por ele e pelo grande imã de Al-Azhar. Também foi a primeira vez que um Papa celebrou missa para 150 mil cristãos na Península Arábica, berço do islão, num espaço público.

Premium

Adriano Moreira

Uma ameaça à cidadania

A conquista ocidental, que com ela procurou ocidentalizar o mundo em que agora crescem os emergentes que parecem desenhar-lhe o outono, do modelo democrático-liberal, no qual a cidadania implica o dever de votar, escolhendo entre propostas claras a que lhe parece mais adequada para servir o interesse comum, nacional e internacional, tem sofrido fragilidades que vão para além da reforma do sistema porque vão no sentido de o substituir. Não há muitas décadas, a última foi a da lembrança que deixou rasto na Segunda Guerra Mundial, pelo que a ameaça regressa a várias latitudes.