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O artigo de Macron era tão ambicioso que foi publicado em 28 jornais europeus e 22 línguas. Mas o seu conteúdo não foi praticamente discutido e o eco gerado gorou as expectativas. E isso diz mais sobre o atual momento europeu do que expõe os méritos ou as fraquezas das propostas do presidente francês.

Depois dos dois importantes discursos sobre a União Europeia que marcaram este início de mandato de Emmanuel Macron (Sorbonne em setembro de 2017 e Conferência dos Embaixadores em agosto de 2018), o presidente francês optou por uma terceira via para reconquistar momentum europeu numa fase politicamente difícil em França. Ao invés de explanar uma política de Estado, tratou de dialogar com os cidadãos da UE através de um artigo publicado em 22 línguas e em 28 jornais dos Estados membros.

A dinâmica revela um propósito: encaixar a eterna vontade de liderança francesa nos debates europeus com uma abordagem de proximidade com os eleitores. Tal como Macron tem tirado partido nas sondagens das virtudes do debate frontal com os cidadãos numa autêntica volta à França, como resposta à disrupção gerada pelos gilets jaunes, a linguagem usada neste artigo pan-europeu procura seguir o mesmo ângulo: retomar a dianteira europeia em paralelo com a francesa a tempo de vencer as europeias em maio. Mas se o artigo procura acompanhar essa cumplicidade política entre frente interna e europeia, ele deve ser sobretudo lido em quatro dimensões: os paradoxos que encerra, as omissões que carrega, as fragilidades que levanta e as virtudes que transporta.

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