Premium A NATO de Truman a Trump

A história destes 70 anos da NATO foi feita de crises constantes, adaptações, anúncios de rutura, implosão e obsoletismo. O seu fim foi sempre prematuramente anunciado e mesmo Trump não tem a faca e o queijo na mão para a liquidar. Ainda bem. A NATO é precisa e desejável. A bem dos europeus.

A prova de que a NATO sempre foi muito mais do que uma clássica aliança militar foi o seu imprescindível contributo para a implosão da União Soviética sem precisar de disparar um só tiro. Aliás, desde a sua fundação até à primeira missão militar, na Bósnia e Herzegovina, passaram 43 anos. Não se pense, no entanto, que esta longa travessia de contenção foi passada numa tranquilidade estratégica entre os seus aliados. Pelo contrário: a história da NATO é um cardápio de crises sucessivas, todas elas ultrapassadas em nome da preservação de uma comunidade de segurança ocidental. E, sem esta, a União Europeia nunca teria passado de um belo rascunho feito por alguns iluminados.

Vale a pena percorrer a rota das crises, na qual o unilateralismo de Trump é mais uma etapa, não necessariamente a derradeira. E começou logo quando foi pensada: a proposta que Ernest Bevin dirigiu a George Marshall, em finais de 1947, esbarrou logo na relutância de Washington, que queria evitar um compromisso permanente com a defesa das democracias europeias. Ultrapassada essa fase, o Tratado de Washington, que apagou 70 velas nesta semana, seria mesmo acompanhado pela constituição da República Federal da Alemanha, o que fez da Aliança Atlântica e da República Federal dois pilares da nova ordem transatlântica. Ato contínuo, em 1950, o início da Guerra da Coreia levou a duas transformações na NATO, a criação de uma organização militar permanente e a integração da Alemanha, a qual, a par da viragem com o Japão, completou a estratégia americana de tornar os inimigos recentes em aliados estruturais durante a Guerra Fria.

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