Premium As duas frentes de Trump

Sem máquina diplomática e com a arte para o acordo que se conhece, Donald Trump foi a Hanói no dia da audição do seu ex-advogado no Congresso. Com o cerco de investigações a apertar em casa, a tentação por movimentações internacionais compensatórias parece difícil de conter. Será possível ter sucesso nas duas frentes ao mesmo tempo?

Há pouco mais de um ano, questionado sobre a ausência de nomeações para altos cargos da administração americana na área da política externa, o presidente respondeu que a única pessoa que importava era só uma: ele próprio. A cimeira desta semana em Hanói foi o espelho desse narcisismo metodológico, preparada de forma voluntarista para ser um marco na história da nova diplomacia americana. Importa referir que só existe um segundo encontro com Kim Jong-un porque o primeiro, em junho passado, teve um efeito reduzido. Nem a desnuclearização norte-coreana foi espoletada, nem as sanções internacionais foram aliviadas, nem contribuiu para uma melhoria no respeito pelos direitos humanos. O simbolismo político gerou nesse momento uma expectativa tal que, de duas uma, ou a máquina de influência americana estava calibrada para levar a bom porto um roteiro ambicioso, ou tudo não iria passar de um logro. Oito meses depois, a avaliação é fraca. A mesma resulta deste segundo encontro.

Para que a coerção, a influência bilateral americana e a pressão regional com Seul, Tóquio e Pequim resultassem numa alteração de comportamento duradouro de Kim Jong-un, a diplomacia americana precisaria de mostrar outro profissionalismo. Em princípio, cimeiras a este nível são o culminar de um processo negocial competitivo e duro, envolvendo equipas sólidas e experientes, não devem ser o início de qualquer coisa deixada em aberto. O presidente Obama, por exemplo, nunca se encontrou com o Líder Supremo do Irão para, a partir daí, chegar a um acordo sobre o nuclear iraniano. O erro de partida conduz à implosão das boas intenções e à banalização do capital político empregue.

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