O Grupo Vila Galé “está disponível” para investir na construção de moradias de renda acessível, para ajudar a resolver “um problema gravíssimo” que afeta Portugal atualmente, as dificuldades de habitação. A afirmação é do fundador e presidente do conselho de administração da empresa, Jorge Rebelo de Almeida, feita durante a apresentação dos resultados de 2025 da rede hoteleira, num encontro com jornalistas.“A Vila Galé está disponível, como seguramente todas as empresas neste país que têm responsabilidade social como nós, para fazer projetos de habitação a preços controlados, quer para arrendamento, quer para venda”, explicou o empresário. A ideia passa por beneficiar, em primeiro lugar, os trabalhadores do grupo, expandindo o acesso a qualquer pessoa que esteja a enfrentar dificuldades.Um cenário que, para Jorge Rebelo de Almeida, tem sido negligenciado. “Há 12 anos que é assim, ninguém se lembrou da habitação”, diz. “Os jovens portugueses não têm casa, não têm dinheiro para alugar ou comprar casa. Arranjam-se culpados e justifições estapafurdias para tudo, mas não se faz o essencial que é tomar medidas para construir casas”..Expandindo no Brasil, dono do Vila Galé diz que "se não fossem os imigrantes" o PIB português "caia em flecha".O grupo já avançou neste sentido, enviando propostas de construção de habitação para as câmaras de Lagos e de Lagoa, no Algarve, com projetos para uso de dois terrenos que já são propriedade da empresa, mas que não possuem autorização para uso com este fim “por razões de planeamento”, explicou Jorge Rebelo de Almeida.Em contrapartida às construções, com custos assumidos pelo grupo, as câmaras municipais facilitariam as regulações dos terrenos e um “pacote de incentivos” ainda a ser definico. “Se nós não resolvemos o problema da habitação, vamos voltar a ter barracas”, diz, categórico, a ressaltar que é um problema que impacta fortemente a mão de obra imigrante da sua empresa.Receitas e projetos futurosO Vila Galé fechou 2025 com um aumento de 15% nas receitas face ao ano anterior, num saldo total de 321 milhões de euros somando-se os 52 hotéis da rede. Crescimento avaliado como positivo, apesar de continuar “a não ter o privilégio de ter um aeroporto em condições ou uma solução intercalar”, diz Jorge Rebelo de Almeida. O empresário tece duras críticas à atual malha aeroportuária do país e à nova insfraestrutura em Alcochete e apela a uma alternativa ao aeroporto de Lisboa. “Nem sequer temos uma informação muito rigorosa de qual é o estado de desenvolvimento desse aeroporto, que é importantíssimo para o país”, declarou.Para o CEO e filho do fundador, Gonçalo Rebelo de Almeida, enquanto “Portugal tem uma situação turisticamente estável”, mas com Lisboa a dar “sinais” de alguma “estagnação”, destacou-se o crescimento do mercado brasileiro em 2025, que, pela primeira vez, ficou à frente do ibérico. Enquanto a faturação das unidades em Portugal e Espanha registou um aumento de 8% em 2025 comparativamente a 2024, no Brasil o crescimento foi de 23% no período homólogo. “No caso do Brasil, são 23% de crescimento na receita, mas são de 12% de crescimento nas taxas de operação. Portanto, o Brasil cresceu nos dois principais indicadores, Portugal cresceu no indicador da receita”, afirma o CEO.Com 34 empreendimentos em Portugal, 13 no Brasil, quatro em Cuba e um em Espanha, o grupo tem, neste momento, 12 projetos em andamento (seis em Portugal e seis no Brasil), investimentos que somam 210 milhões de euros a concretizar até 2028.Em território nacional, as novas unidades reforçam a presença no interior do país e a aposta na reabilitação de Património Histórico. Com projetos em execução na Ilha Terceira, na Golegã, Penacova, Miranda do Douro e Oeiras. Em Lisboa, o grupo está a avançar com o Vila Galé Collection Lisboa - Palácio Almada Carvalhais, considerado um dos projetos mais relevantes desta fase de expansão. Serão 110 quartos e um investimento de 35 milhões de euros apenas nesta unidade..Vila Galé fatura 321 milhões em 2025 apesar de Portugal não ter "o privilégio de ter um aeroporto em condições".Arrendamento sobe mais que as vendas e agrava desequilíbrios no mercado imobiliário