Apple destrona Samsung. Como a maçã conseguiu a liderança global de 'smartphones'
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Apple destrona Samsung. Como a maçã conseguiu a liderança global de 'smartphones'

Com 243 milhões de unidades vendidas e impulsionada por um “superciclo” de renovação, a gigante de Cupertino ultrapassa a rival sul-coreana pela primeira vez em 14 anos.
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Este ano de 2025 ficará marcado na história da tecnologia móvel como o momento em que a hegemonia de mais de uma década da Samsung chega ao fim. Pela primeira vez em 14 anos, a Apple assegurou a liderança global em volume de vendas de smartphones, num movimento que analistas descrevem como uma “tempestade perfeita” de estratégia de produto e comportamento do consumidor.

Segundo dados da Counterpoint Research e da Bloomberg, a Apple deverá encerrar o ano com aproximadamente 243 milhões de iPhones vendidos, capturando 19,4% da quota de mercado global. A Samsung, embora mantenha uma posição robusta, cai para o segundo lugar com 235 milhões de unidades (18,7%), vendo o seu crescimento de 4,6% ser eclipsado pela aceleração de 10% da empresa de Tim Cook.

Para os analistas da Counterpoint, a mudança de paradigma deve-se, em grande parte, ao chamado “superciclo” de atualização pós-pandemia. Milhões de consumidores que adquiriram telemóveis durante os confinamentos de 2020 e 2021 atingiram este ano o ponto crítico de renovação. Ao contrário da Samsung, que democratizou a sua Inteligência Artificial (Galaxy AI) para modelos antigos, a Apple restringiu as funcionalidades mais avançadas da Apple Intelligence ao hardware mais recente, criando um incentivo “obrigatório” para o upgrade para as séries iPhone 16 e 17.

iPhone Air ficou aquém das projeções

Contrariando a tendência de crescimento geral da marca, o novo iPhone Air enfrentou uma receção difícil no mercado. Concebido para substituir a gama “Plus”, com um perfil ultrafino de 5,6mm, o dispositivo registou níveis de procura significativamente inferiores às estimativas iniciais da empresa.

Relatórios da cadeia de abastecimento, citados pelo portal especializado MacRumors e corroborados por notas de analistas da Morgan Stanley, indicam que a Apple terá reduzido as encomendas de produção em cerca de 90% poucas semanas após a chegada do produto às lojas. A reação dos consumidores parece ter sido influenciada pelo posicionamento do produto: com um preço superior a 1200 euros, o modelo oferece especificações técnicas - nomeadamente ao nível da câmara única e da capacidade da bateria - que o colocam em desvantagem direta face ao iPhone 17 Pro.

Os dados de vendas sugerem que a maioria dos consumidores naquele segmento de preço optou por investir a diferença residual para adquirir o modelo “Pro”, ou preferiu o iPhone 17 base, resultando numa estagnação do “Air” nas prateleiras.

A surpresa americana: a ascensão do Google Pixel

Enquanto Apple e Samsung lutavam pelo topo, um terceiro player consolidou-se silenciosamente num dos mercados mais difíceis do mundo. Nos Estados Unidos, o Google Pixel registou uma performance surpreendente em 2025.

Dados da Counterpoint indicam que, em setembro de 2025, as vendas da linha Pixel nos EUA cresceram 28% em relação ao ano anterior. A Google conseguiu capturar cerca de 6% a 7% do mercado premium norte-americano (dispositivos acima de 600 dólares).

Embora estes números pareçam modestos comparados com os gigantes, representam um crescimento crucial. O sucesso deve-se a uma estratégia agressiva de parcerias com operadoras e à integração profunda do modelo de IA Gemini, que atraiu utilizadores de Android que procuravam uma alternativa “pura” à interface carregada da Samsung, mas que não queriam migrar para o iOS.

2026: o ano da resposta e a ameaça dobrável?

A grande questão agora é se o domínio da Apple se manterá. A Samsung continua a ser tecnicamente rainha no mercado dos dobráveis, mas 2026 poderá ser o ano em que a sua última grande vantagem competitiva será posta à prova.

Analistas de mercado sugerem que a empresa sul-coreana poderá tentar recuperar o trono apostando em formatos inovadores, como um possível modelo tri-fold (dobrável em três partes, semelhante ao que a Huawei mostrou na China) para reavivar o interesse na série Galaxy Z.

Contudo, rumores persistentes da cadeia de produção asiática apontam para o “elefante na sala”: a entrada da Apple no mercado dos dobráveis. Relatórios indicam que a Apple poderá lançar o seu primeiro dispositivo dobrável (provavelmente um modelo flip ou um híbrido iPad/iPhone) no final de 2026 ou início de 2027.

Se a Apple entrar neste segmento com a maturidade habitual do seu ecossistema, a Samsung perderá o seu fator de diferenciação exclusivo no topo de gama. Para a gigante sul-coreana, 2026 não será apenas sobre recuperar o primeiro lugar, mas sobre defender a sua identidade num mercado onde a barreira entre o Android e o iOS é cada vez mais definida pelo hardware de IA e menos pelas especificações puras.

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