OPA do CaixaBank pressupõe saída de mil trabalhadores do BPI

A oferta de aquisição do Caixabank tem implícita a saída de cerca de mil trabalhadores, estimou o conselho de administração do BPI

A oferta de aquisição do BPI pelo Caixabank tem implícita a saída de cerca de mil trabalhadores, estimou o conselho de administração do banco português no seu relatório sobre aquela proposta, divulgado no sítio da CMVM.

"Tomando por base os custos de reestruturação anunciados pelo oferente e as sinergias previstas na rubrica de custos com pessoal, este cenário seria compatível com a saída de cerca de mil colaboradores", especifica-se no texto enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM).

Aqueles custos e estas sinergias tinham sido quantificados na proposta apresentada em 18 de abril, respetivamente em 250 milhões e 45 milhões de euros.

A redução de pessoal, ainda segundo o mesmo documento, citando a proposta do oferente, seria conseguida "dando prioridade a reformas antecipadas e lay-offs incentivados".

A administração do Banco BPI adiantou que tem em curso "iniciativas que levarão à redução de 250 efetivos até ao final do corrente ano".

Em declarações à TSF, o presidente do Sindicato dos Bancários do Sul e Ilhas, Rui Riso, manifestou surpresa em relação aos despedimentos. "Fico verdadeiramente espantado. Estivemos com o BPI recentemente e houve todas as condições para que nos tivessem dito que essa solução estava em cima da mesa", sublinhou.

OPA oportuna

O conselho de administração considerou a Oferta Pública de Aquisição (OPA) lançada pelo CaixaBank como "oportuna" e entende que é "amigável" por ser proveniente de uma instituição com "grande credibilidade" e acionista desde 1995.

Já o presidente da Santoro e vogal da administração do BPI, Mário Leite da Silva, propôs que seja um auditor independente a definir o preço por ação a pagar pelo CaixaBank no âmbito da OPA.

Na declaração de voto do relatório do Conselho de Administração do BPIsobre a OPA do CaixaBank, Mário Leite da Silva, representante da empresária angolana Isabel dos Santos, que controla a Santoro, escreve que "os documentos sobre os quais o conselho se pronuncia contêm um conjunto de vícios que prejudicam a sua análise e, em particular, que não são completos e objetivos em relação a vários temas essenciais para a perceção da oferta".

Em abril, o CaixaBank obteve a 'luz verde' da CMVM para lançar uma OPA sobre as ações do BPI que ainda não controla, oferecendo um preço de 1,113 euros por ação no anúncio preliminar da operação.

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