Teremos todos de "enfrentar o processo da subida das taxas de juro"

Depois de salientar os pontos positivos que marcaram 2022, o ministro das Finanças não conseguiu fugir aos fantasmas "inflação" e "subida das taxas de juro". Apesar das perspetivas positivas para as contas públicas e uma menor dependência energética, o próximo ano "realista" não prevê mudanças naquele quadro.

O ministro das Finanças insistiu esta quinta-feira, no encerramento da Money Conference, organizada pelo Dinheiro Vivo, DN e TSF, que a subida das taxas de juro pelo BCE que, apesar de já ser expectável, "evoluiu num processo mais rápido e intenso" do que se previa para este ano e que, segundo frisa Fernando Medina, vai marcar também 2023.

O ministro das Finanças dirigiu-se aos banqueiros na conferência dizendo que terão todos de "enfrentar o processo da subida das taxas de juro, que poderá ser vista como uma processo de normalização da política monetária". "A forma como nós lidarmos coletivamente com este desafio, vai determinar muito o andamento que vamos ter em 2023", rematou.

Ainda em relação ao próximo ano, o ministro das Finanças alertou para o facto de o país permanecer sujeito a um "contexto externo" que lhe é imposto: "Seremos confrontados com desafios sob os quais não temos qualquer responsabilidade", disse. A guerra na Ucrânia, que dura já desde 24 de fevereiro, continuará a marcar a agenda e reinará a "total incerteza sobre quando e em que condições o conflito termina". Restará "normalizar os preços da energia" e assumir que os seus sucessivos aumentos são de caráter estrutural, mas manter a esperança no movimento europeu para autonomização energética.

O cenário da inflação não foi, nem daria para ser floreado, com Fernando Medina a confirmar que "teremos inflação elevada durando um maior período", ainda que as análises apontem para valores "mais reduzidos que os atuais". O mesmo se passará com a subida das taxas de juro, um fator que não é surpresa, uma vez que já foi antecipado pelo BCE.

Por seu turno, entraremos em 2023 "com forças internas que devem ser valorizadas", prosseguiu o discurso. "Temos tendência a ser pessimistas, mas não seríamos rigorosos na análise se não destacássemos forças que vão orientar 2023", vincou o ministro. São elas a "diminuição da globalização", que dará azo ao país de beneficiar de oportunidades de investimento; a "estabilidade" alcançada através de acordos de concertação, que "dão previsibilidade, permitindo ao Estado, empregadores e trabalhadores orientarem-se num quadro organizado, num contexto incerto"; e a "resiliência do turismo e do setor dos serviços", que cada vez mais se tem "vindo a internacionalizar".

Além de mencionar uma "menor dependência energética", Medina dedicou-se a "puxou dos galões" e a dizer, mais uma vez, que o país terá as "contas públicas em ordem", com uma previsão de défice na casa dos 0,9%; uma dívida nos 111%, acompanhada por um saldo primário de 1,6% do Produto Interno Bruto (PIB); e um aceleramento do investimento público.

O sete pontos de Medina que marcam 2022

Relativamente a este ano, Fernando Medina destacou sete pontos que o caracterizaram. Entre estes, o "forte crescimento da economia, que foi de longe o mais elevado da zona euro"; a "robustez do mercado de emprego, que se aproxima daquilo que é o termo técnico de pleno emprego"; a "redução do défice e da dívida", que dará lugar a integrar um "pelotão ao lado de países como Espanha, França e Bélgica"; e a "estabilidade política", decorrente de uma maioria (do PS).

Ainda sobre este tema, o ministro salientou "a robustez e resiliência do sistema financeiro" português, reconhecendo o trabalho que tem sido feito ao longo dos últimos tempos pelas instituições, que contribuíram para um Portugal que se encontra hoje "sólido, robusto" e que serve a economia e os portugueses. Para Medina, este é agora "um ativo que o país dispõe" e que "temos de saber mobilizar".

Os dois pontos menos positivos foram deixados para o fim da lista. Primeiramente, a inflação, que se veio "revelar mais elevada e persistente" do que aquilo que o Banco Central Europeu (BCE) tinha antecipado no primeiro semestre do ano. O ministro com o pelouro das Finanças explicou que este deixou de ser um fenómeno apenas relacionado com a crise energética e que se prevê "não temporária". Dentro desta questão, levanta-se o problema de os países, inclusive Portugal, estarem a "transferir riqueza para os países exportadores de energia", levando a uma "deterioração da balança externa".

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