Banco Central Europeu contra-ataca popularidade da bitcoin

A febre das criptomoedas é cada vez maior. Mas o BCE quer combater a ideia de que têm vantagens, pondo os bancos a fazer transferências instantâneas e quase grátis

As moedas virtuais são cada vez mais populares. E apesar de o presidente do Banco Central Europeu (BCE), Mario Draghi, ter defendido recentemente que as criptomoedas têm um impacto limitado na economia europeia, Frankfurt quer combater a perceção de que estas moedas têm vantagens. Depois de a bitcoin ter passado a fasquia de 11 mil dólares, Yves Mersch, membro da comissão executiva do banco central, pediu aos bancos para que se apressassem em criar soluções que permitam contrariar a popularidade da bitcoin.

"Os bancos necessitam de implementar os pagamentos instantâneos o mais rapidamente possível para dar uma narrativa alternativa ao debate público em curso sobre a alegada inovação trazida pelos esquemas de moedas virtuais", disse, citado pela Reuters, o responsável do banco central, numa conferência em Roma. O BCE tem incentivado a criação de um sistema que permita pagamentos e transferências bancárias instantâneas e praticamente grátis entre os países europeus. Essa solução já arrancou em oito países no passado mês de novembro. Em Portugal só deverá chegar no segundo trimestre de 2018.

Bitcoin valoriza dez vezes

A possibilidade de se fazer transferências e pagamentos imediatos para qualquer ponto do mundo com baixos custos tem sido um dos motivos para a popularidade da bitcoin, que tem tido um crescimento acentuado. A especulação em torno desta criptomoeda fez que o preço subisse mais de dez vezes no último ano. Esta divisa virtual representa mais de metade do mercado de criptomoedas. Há 12 meses, valia um total de 14 mil milhões de dólares. Atualmente tem uma dimensão de cerca de 320 mil milhões. Estas moedas valem mais do que a economia portuguesa.

Apesar de ainda não serem genericamente permitidas como meios de pagamento, o número de entidades a aceitar bitcoins tem aumentado. No eBay e na Tesla já foram feitos pagamentos com esta criptomoeda. E nas últimas semanas têm surgido notícias, não confirmadas, de que a Amazon também irá disponibilizar pagamentos em bitcoin. Nos EUA e na Austrália já se compram e arrendam casas com esta divisa. E no Japão há companhias aéreas e empresas de retalho a aceitar a moeda virtual. As critpomoedas estão ainda a ser utilizadas para operações de financiamento de empresas, as ofertas iniciais de moedas, semelhantes a entradas em bolsa. Nos EUA, as autoridades deram luz verde a que se criassem instrumentos financeiros relacionados com a bitcoin.

Mas multiplicam-se os avisos. O vice-presidente do BCE, Vítor Constâncio, disse em setembro que a bitcoin não era uma moeda, mas antes um instrumento de especulação. E comparou-a à bolha das tulipas. O presidente do J.P. Morgan, um dos maiores bancos do mundo, foi ainda mais direto. "Quem for suficientemente estúpido para comprar acabará por pagar o preço", disse Jamie Dimon, citado pela imprensa americana. Também Joseph Stiglitz, Prémio Nobel da Economia, defendeu que a bitcoin devia ser banida, porque não tem valor e é um foco de evasão fiscal.

Mas apesar das críticas, os bancos centrais tentam responder aos desafios impostos pelas moedas virtuais. Na Suécia e no Reino Unido, por exemplo, os bancos centrais têm em curso estudos para aferir se irão lançar as suas próprias moedas virtuais.

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