Insolvências sobem ao ritmo de 20 por dia

Houve 5002 empresas insolventes até agosto, mais 9% do que o ano passado. Criação de novas empresas cai 3,5%

Há menos empresas em dificuldades a recorrer aos tribunais, mas o número de casos de falências está a aumentar. Nos primeiros oito meses do ano, foi declarada a insolvência de 2474 empresas, mais 819 do que em igual período do ano passado, o que representa um aumento de 49,5%. Os processos com planos de insolvência aprovados pelos credores foram 78, menos um que o ano passado.

Os dados são do Observatório de Negócios da Ignios e mostram que, em agosto, havia 5002 empresas insolventes em Portugal, mais 415 face ao período homólogo. O que representa um aumento acumulado de 9% e corresponde a qualquer coisa como vinte empresas por dia em dificuldades. Foram menos 340 os credores a avançar com pedidos de insolvência de devedores e menos 63 as empresas a recorrerem ao processo especial de revitalização no âmbito do Código das Insolvências. Mesmo assim deram entrada nos tribunais 2450 processos. Somados às empresas declaradas falidas e aos 78 planos aprovados temos os tais 5002 casos.

O aumento mais significativo das falências aconteceu no Porto, com mais 170 empresas em dificuldades, em Lisboa, com mais 141 casos, e em Setúbal. Em contrapartida, Braga, Faro, Leiria e Viana do Castelo são alguns dos distritos que viram o número de insolvência diminuir face ao ano passado. A explicação parece estar na atividade dos setores exportadores.

"As exportações, principal motor de crescimento económico nos últimos anos, revelam alguma desaceleração nos últimos números divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística. Este facto irá previsivelmente ter consequências para as empresas dos distritos tradicionalmente mais exportadores que, até à data, têm evidenciado números mais favoráveis do que as zonas mais dependentes da procura interna", refere o CEO da Ignios, António Monteiro.

Não admira, por isso, que seja o comércio, a retalho e por grosso, e a restauração, os setores a registar um acréscimo de casos face ao ano passado. No total, o comércio teve 1401 falências, mais 150 do que nos primeiros oito meses de 2015. Restaurantes em dificuldades foram 389, mais 40 do que o ano passado. João Vieira Lopes, presidente da Confederação do Comércio e Serviços, admite que esse aumento se prende com o encerramento de processos que vêm ainda de trás, e assegura que os "anos negros" de 2012, 2013 e 2014, em que o setor chegou a perder 100 lojas por dia, estão ultrapassados. "O negócio está estabilizado e até há alguns segmentos, como o das novas tecnologias e alimentar, que têm tido crescimento. As empresas estão é com baixos níveis de capitalização e mantém-se a dificuldade em aceder à banca", explica.

Por recuperar está, ainda, também a situação do esmagamento das margens em que a maior parte das empresas se veem obrigadas a viver. "A restauração, com a baixa do IVA, vai recuperar alguma capitalização das suas empresas, que foram obrigadas a assumir o aumento dos preços quando o governo subiu o IVA para 23%. Esta descida vai ajudar a dar mais saúde a um conjunto de empresas que passará, pelo menos, a trabalhar com fundos de maneio maiores", defende Vieira Lopes.

O estudo da Ignios analisa, ainda, a criação de empresas. Nos primeiros oito meses do ano houve 25 457 registos, o que corresponde a quase menos mil novas empresas face ao período homólogo (-3,5%). Curiosamente, o alojamento e a restauração são das poucas atividades a contrariar a tendência geral: Foram criadas 3146 novas empresas, mais cem do que o ano passado. A explicação está no crescimento do segmento turístico no país. Os transportes é outra das áreas que cresce, com 664 novas constituições, mais 92 do que em 2015. E apesar da crise e das muitas notícias negativas, até a construção parece atrair novos investimentos: foram criadas 2038 novas construtoras, mais 18 face ao período homólogo.

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