Fundação Ricardo Espírito Santo volta aos salários em atraso

Queda do BES trouxe turbilhão financeiro à fundação que a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa tenta há um ano equilibrar

A denúncia chega de um trabalhador: a Fundação Ricardo Espírito Santo Silva (FRESS) está novamente com salários em atraso. "Nas escolas os professores já não recebem há três meses e nas oficinas há dois", conta um dos funcionários ao DN/Dinheiro Vivo, relatando "situações de enorme dificuldade de alguns para sobreviver".

Confrontado pelo DN/DV, Edmundo Martinho, presidente do conselho de administração daquela instituição dedicada às artes e ofícios, assume que há um atraso nos vencimentos "do mês de abril e uma parte do mês de março". O também vice-provedor da Santa Casa da Misericórdia assegura que "a situação deverá ficar regularizada nos próximos dias".

As dificuldades da FRESS não são de hoje. Em 2014, com a queda do império Espírito Santo, a fundação que tem um museu de artes decorativas, várias oficinas, uma escola superior de artes e um instituto de artes e ofícios, perdeu o seu maior mecenas. Em 2015, ficou à deriva, contando apenas com receitas próprias e alguns apoios financeiros da Câmara Municipal de Lisboa e da Santa Casa da Misericórdia. Em maio do ano passado, a Santa Casa liderada por Pedro Santana Lopes assinou um acordo para garantir "a continuação das atividades da Fundação Ricardo Espírito Santo Silva. Era a "solução definitiva" que a direção procurava desde o verão de 2014.

O acordo financeiro não foi conhecido, mas à data o provedor da Santa Casa alertou para a necessidade de reforçar as "receitas próprias" da FRESS. O ano passado ainda foi de reorganização, mas os salários voltaram a ser pagos de forma intermitente. Primeiro em janeiro, depois por altura do verão e dos subsídios de férias.

Os trabalhadores queixam-se de que o prometido fôlego financeiro tarda em chegar e temem pelo futuro do espaço idealizado há mais de 60 anos pelo banqueiro e colecionador Ricardo Espírito Santo, que doou o Palácio Azurara e parte da sua coleção ao Estado para que se criasse um museu-escola.

As últimas contas publicadas são de 2015, altura em que a fundação fechou o ano com um prejuízo de um milhão de euros. No final desse ano, a FRESS contava com 97 funcionários.

No Plano Estratégico para 2017 não são fixados novos números, mas determina-se "a necessidade de reestruturar e reajustar recursos humanos às diferentes atividades, uma das mais difíceis mas urgentes ações a levar a cabo para a prossecução de atividades e projetos mais ambiciosos". Neste plano está previsto o preenchimento de vagas e admissão de novos técnicos, mas também o "reajustar" de competências e de recursos humanos nas escolas e requalificação dos quadros existentes. Este plano pretende ainda reforçar as receitas próprias e prevê o alargamento "dos apoios públicos e privados", considerado "uma prioridade neste ano em que se deseja uma mudança interna decorrente de uma reestruturação geradora de novas e maiores capacidades".

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